Número total de visualizações de páginas

14 agosto 2026

Historias de Lisboa - SANTO ANTONIO

Saltar à fogueira, queimar ervas aromáticas, ir às fontes e 'deitar as sortes': as velhas tradições das festas de Santo António.

Durante séculos pensava-se que o nascimento de Fernando Martins de Bulhões tinha ocorrido, em Lisboa, quatro anos mais tarde, mas uma exumação científica autorizada pelo Vaticano, realizada em Pádua, em 1981, veio a indiciar que, afinal, aquele que veio a ser Santo António deverá ter nascido em 1191.

Significa que isto que Fernando veio ao mundo apenas seis anos depois da morte de D. Afonso Henriques, numa cidade que, uma geração atrás, era chamada de Al-Ushbuna e tinha, há menos de 50 anos, o Islão como religião oficial. O futuro santo cresceu numa família burguesa junto à recém-inaugurada Sé Catedral (antes, a mesquita aljama) e, bem cedo, abraçou o sacerdócio da vida religiosa, para militar na jovem e revolucionária (para a época) ordem dos franciscanos.

Teve uma vida aventureira e uma ascensão meteórica: de Lisboa rumou a Coimbra, dali a Marrocos e, finalmente, a França e Itália. Em poucos anos, tornou-se “famoso” graças aos dotes de oratória, conheceu o próprio São Francisco de Assis e, ao morrer, aos 40 anos, protagonizou a mais rápida canonização da Igreja Católica (11 meses). Pode dizer-se que foi o primeiro caso de internacionalização portuguesa no estrangeiro.

Com a morte veio o culto. A fama dos milagres e uma intensa devoção alteraram o perfil do sisudo doutor das letras para o santo brincalhão e casamenteiro. Para o que muito concorreu a associação à simbologia de São João, companheiro, a par de São Pedro, na trilogia dos santos que partilham o mês do solstício de verão no hemisfério norte, e com ele as velhas tradições imemoriais do paganismo, da fertilidade das colheitas e da fecundidade.

O culto do santo espalha-se pelo mundo, mas em Lisboa vai ganhar cada vez mais significados. Adotado primeiro como símbolo da afirmação régia da coroa portuguesa, logo passou a sinónimo de poder local do senado da capital. O culto religioso deu lugar a festas profanas, com arraiais, marchas ao flambó e as outras, chamadas de populares, reinventadas em plena ditadura militar, e que nos chegam quase um século mais tarde, sob a forma da festa e liberdade.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

08 agosto 2026

Historias de fadistas - BERTA CARDOSO E OS PAPAGAIOS DE DISCOS

Para quem não sabe, a Berta Cardoso era uma enfermeira parteira que tinha o ciclo preparatório. Naquela época ter a 4º classe já era bom, ter o ciclo era fabuloso. Ao mesmo tempo conciliava uma saudosa carreira de muitos anos no fado, quando a Amália nem sequer sonhava cantar.

A Berta era uma mulher com muito bom humor: uma vez encontrei-a na "Viela", na altura a minha paragem obrigatória ao fim da noite antes de ir dormir. Na altura andava a tal rapariga nova a cantar por lá. Até cantava muito bem, mas era um bocado papagaia: aprendia pelos discos e fazia reproduções fiéis quando cantava, inclusive dos erros.

Havia o fado "Que Deus me Perdoa, que em certa parte diz "cantando dou brado e nada me dói". Mas a Amália comia um bocadinho as palavras e percebia-se "cantando dobrado e nada me dói". Claro que a menina dizia o mesmo erro, dando-lhe até alguma acentuação.

No final da noite a Berta decidiu chamá-la à atenção mas levou como resposta: "É assim que a dona Amália canta, portanto está bem!". Passados dois dias, Berta Cardoso voltou a chamar a menina á parte para corrigi-la no mesmo verso e ela voltou a mostrar a postura arrogante de papagaia de discos: "Fui para casa ouvir e no disco é assim que ela canta!"

Lembro-me de não conseguir conter o riso quando a Berta, que não tinha papas na língua, se saiu com a seguinte pérola: "Ai é? Então olhe menina, ele estendido e rijo já é difícil, quanto mais dobrado e mole... tenha juízo e pense por si mesma!".


Berta Cardoso - Fado antigo

Vital d'Assunção - expresso

03 agosto 2026

Historias de Lisboa - ASCENSORES E ELEVADORES


Entre 1884 e 1901, Lisboa assiste à concretização de um sonho: a construção de uma rede de ascensores e elevadores que ousavam vencer as íngremes colinas que tanta moléstia causavam aos lisboetas e sofrimento ao transporte de tração animal. Inspirados nas inovações importadas dos Estados Unidos e no centro da Europa, e tendo como exemplo o funicular do Bom Jesus de Braga já em funcionamento desde 1882, os primitivos veículos eram movidos através de mecanismos de contrapeso de água e a vapor, o que obrigava a paragens frequentes sobretudo nos meses de verão, quando rareava a água.

O primeiro a ser projetado foi o da Glória, mas acabaria por caber ao do Lavra (1884), na colina oposta da Avenida da Liberdade, as honras de pioneiro da capital. Dois anos mais tarde, a 24 de outubro de 1885, no dia da abertura do Elevador da Glória, compareceram algumas das figuras mais importantes da cidade. As fotografias e gravuras da época mostram algumas das figuras mais importantes da cidade, com chapéu alto e fatos de gala, a empreenderam a viagem inaugural dos Restauradores ao Bairro Alto. Algumas utilizaram o piso superior descoberto, a “Imperial”, que caracterizava, então, o carro da Glória.

Iniciava-se um período de cerca de 20 anos marcado pela expansão da rede, com linhas concessionadas pela Câmara Municipal a empresas privadas, obras de engenharia que viriam a irromper pelas colinas e por alguns dos bairros populares. Estrela, Chiado, Bica, Mouraria e Graça passariam a estar servidas por elevadores e ascensores, alguns descrevendo por vezes curvas surpreendentes para uma tecnologia concebida para ruas tendencialmente ortogonais, causando espanto, muitos percalços e alguns acidentes.

A última das linhas, a extinta carreira do Rossio a São Sebastião da Pedreira, viria a ser inaugurada quando a eletrificação, no início do século XX, tornava já obsoleta e ultrapassada a velha tecnologia dos elevadores de Lisboa. Terminava o reinado dos pioneiros ascensores da capital, já então apelidados, na gíria lisboeta de então, como “maximbombos", “coisas podres”, “a cair de miséria” e a “atravessar as ruas da cidade aos tombos, a chiar desesperadamente sobre as calhas tortuosas”.


MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

26 julho 2026

Alentejo (Portugal) - EVORA (10) - ALTO DE SÃO BENTO


Pour un magnifique point de vue sur la ville, prenez la direction de São Bento de Catris. L’Alto de São Bento vous offrira une vue panoramique sur « la ville-musée ». Le site se trouve à environ trois kilomètres au nord-ouest du centre historique. Sur la colline, vous pourrez aussi voir d’anciens moulins à vent. Le site est parfait pour admirer le coucher de soleil.

GoToPortugal