Número total de visualizações de páginas

29 outubro 2026

Texto - MARIO BARRADAS : UM HISTORICO PROGRESSISTA

Reflectindo sobre a "Revolucão de Abril", não podia deixar de a ela associar o nome de Mario Barradas.

Nestes tempos conturbados em que a ganância e cobardia parecem caracterizar muitos dos nossos politicos, aqui vai a minha modesta homenagem a um Homem de conviccão.

Mario Barradas dedicou a sua vida à cena artistica e defesa da democracia.

Mario, como se dizia com o Marquês de Pombal, vem ver o que eles fizeram do nosso Portugal!

Dizia Mario Barradas, pouco antes de morrer :

"Tenho nojo daquilo em que Portugal se está a transformar. Eu sou um homem de teatro, actor e encenador, mas nunca me misturei com o que considero o gosto do dinheiro, o facilitismo e a falta de rigor".

Ver biografia:

Mário de Melo dos Santos Barradas (Ponta Delgada, 7 de Agosto de 1931 — Lisboa, 19 de Novembro de 2009) foi um encenador e actor, fundador na década de 1960 do Teatro Universitário de Moçambique e, mais tarde, do Centro Dramático de Évora, o CENDREV, de Évora. Foi uma das figuras mais marcantes do panorama teatral português após a Revolução dos Cravos.
Mário Barradas, como tantos outros, começou a interessar-se pelo Teatro no Liceu Nacional Antero de Quental, em Ponta Delgada, onde nasceu.
De 1949 a 1954, licencia-se em Direito pela Universidade de Lisboa, e em 1954 assina a sua primeira encenação com a peça O Mestre Escola de Keita Fodebado, um grande poeta da Guiné Conacri, com tradução de Mário Pinto de Andrade. Entretanto dizia poemas em diversos locais, Barreiro, Coimbra, Casa dos Estudantes do Império e Cooperativa dos Trabalhadores de Portugal.
Em 1956, como militar, partiu para Timor, e aí montou espectáculos, entre os quais "A Farsa de Mestre Pathelin" de autor anónimo do século XV.
Em 1962 partiu para Moçambique, onde fundou o Teatro de Amadores de Lourenço Marques (TALM) e onde, até Abril de 1969, montou e interpretou 19 textos de teatro, entre os quais textos de Giraudaux, Cervantes, Lorca, O'Casey, Albee, Ghelderode, Brecht, e outros. Exerceu advocacia nesse período.
Em Outubro de 1969, com uma bolsa da Fundação Gulbenkian, ingressou, como aluno, na Escola Superior de Arte Dramática do Teatro Nacional de Estrasburgo onde, em 1971, foi convidado para professor assistente. Em Junho de 1972, a convite da dra Madalena Perdigão, dirigiu o espectáculo final dos primeiros alunos da nova Reforma do Conservatório Nacional, tendo a partir de Outubro integrado a respectiva Comissão e passado a dirigir o mesmo Conservatório.
Ligou-se entretanto ao grupo de Teatro Independente Os Bonecreiros, onde encenou A Mosqueta de Ruzante, A Grande Imprecação Diante das Muralhas da Cidade de Dorst e Noite de Guerra no Museu do Prado, de Rafael Alberti, esta já depois da Revolução de 25 de Abril.
A partir de Maio de 1974 iniciou, com Norberto Ávila, a preparação da primeira companhia da Descentralização Teatral em Portugal e em 2 de Janeiro de 1975 fundou o Centro Cultural de Évora, mais tarde Centro Dramático de Évora – Cendrev, com sede no já centenário Teatro Garcia de Resende.
Encenou entretanto espectáculos em Viana do Castelo, Porto, Braga, Vila Real de Trás os Montes, no Teatro da Beira da Covilhã, Coimbra, nos Açores, e em diversos outros locais.
Dirigiu cursos de formação de actores em inúmeras localidades do país.
Em Évora, fundou, com o encenador Luís Varela, a Escola de Formação Teatral do Cendrev.
Encenou e interpretou textos de Aristófanes, Molière, Corneille, Mérimée, Büchner, Marivaux, Shakespeare, Goldoni, Tchekov, Turrini, Dorst, Bernard-Marie Koltèz, de quem foi colega e amigo, Vinaver, Bond, Gil Vicente, Sá de Miranda, Chiado, Garrett, Raul Brandão e muitos outros.
Fundou o Teatro da Malaposta com José Peixoto e José Martins.
Foi Presidente indigitado do IPAE, pelo Professor Manuel Maria Carrilho, em 1997, cargo de que se demitiu.
Foi director da revista ADÁGIO do Cendrev. Com a sua acção, Mário Barradas deu um contributo activo e fundamental para o desenvolvimento do panorama teatral português nas últimas décadas, razão pela qual recebeu a Medalha de Ouro da Cidade de Évora, a medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura, e em 1987 foi agraciado pelo Presidente da República Portuguesa com a comenda da Ordem do Mérito Cultural.
A morte inesperada impediu-o de realizar o último projecto em que, com grande entusiasmo, trabalhou: a encenação de Troilus e Créssida, de William Shakespeare, co-produção entre a Companhia Teatro de Almada, A Companhia de Teatro do Algarve e a Companhia de Teatro de Braga, cuja estréia estava prevista para 22 de Abril de 2010. Em sua substituição, e em homenagem a Mário Barradas, a peça será encenada pelo actor e encenador suíço Michel Kullemann, com cenografia e figurinos de Christian Ratz, cenógrafo francês do Teatro Nacional de Estrasburgo.
Foi sepultado no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.
Foi casado com Maria Joana de Faria Bento Pessoa, com quem teve três filhos, Rui, Miguel, e Nuno.
Acaba a sua autobiografia com a frase Duas últimas observações. "Partilho a ideologia marxista-leninista e tenho nojo daquilo em que Portugal se está a transformar. Eu sou um homem de teatro, actor e encenador, mas nunca me misturei com o que considero o gosto do dinheiro, o facilitismo e a falta de rigor".


ATé SEMPRE PRIMO !

29-10-2026
JoanMira
(José Antonio Barradas Mira)

14 outubro 2026

Historias de fadistas - BEATRIZ DA CONCEIçÃO - QUE GRANDE BESUGO !

Striptease e fado não são propriamente dois tipos de espetáculos compatíveis. A Beatriz da Conceição que, além de ser uma fadista com uma capacidade estrondosa para dar o seu estilo próprio às melodias mais tradicionais é também uma mulher cheia de frontalidade, bem o pode dizer. Ora venham daí saber porquê.

1974. Eu, o guitarrista Arménio de Melo e a fadista Beatriz da Conceição estávamos a atuar na "Taverna do Embuçado", quando o empresário Sérgio de Azevedo - que era um homem ousado para época - nos fez um convite: Durante quinze dias, teríamos um show de fado na sua recém-aberta casa de espetáculos, ali para os lados do Campo Grande, de nome "Frou-Frou".

Aceitámos o convite e lá fomos. Para os anos 70, o "Frou-Frou" era uma casa modernaça, com um palco elevatório e espetáculos para todos os gostos. Antes do fado, havia, nada mais, nada menos, do que striptease. Lembro-me de a artista austríaca entrar em palco através de uma língua gigante, que pendia numa boca que fazia parte do cenário. Do outro lado do palco havia um pénis com dois metros de altura, que servia de varão para a dança sensual.

Quando o strip acabava, as luzes eram desligadas, o aderecista retirava a boca e o pénis, e colocava as nossas duas cadeiras. Nós entrávamos no palco às apalpadelas para dar início à sessão da fado, que começava com as cortinas a abrir e a Beatriz a entrar a cantar.

"Que grande besugo!"

Ao fim de uma semana de espetáculos, era o dia de folga do aderecista e veio outra pessoa substituí-lo. Ninguém nos avisou, portanto fizemos o percurso habitual: findo o strip, entrámos no palco às escuras e sentámo-nos nas nossas cadeirinhas. Lembro-me de nessa noite o tema de abertura ser o "Canoa". Começámos a dedilhar os primeiros acordes, a cortina começou a abrir, acenderam-se as luzes e a Beatriz entrou em palco enfrentando um público que tentava conter o riso. Do lado direito do palco, lá estava ele: O pénis de dois metros.

Beatriz, que é conhecida pela sua veia portista, não conseguiu conter-se. Parou de cantar e, perante um público incrédulo, disse a seguinte frase: "Ena pá. Que granda besugo! A mim nunca me calhou uma coisa assim!"

A gargalhada foi geral e escusado será dizer que nessa noite foi pouco o silencio que se fez no "Frou-Frou" para se ouvir cantar o fado. O bom-humor, as larachas e as gargalhadas levaram a melhor.

"Meu corpo"

Vital d'Assunção (www.expresso.pt)

03 outubro 2026

Sport - EGOISME - EGOCENTRISME : L'ULTIME CAPRICE DE CRISTIANO RONALDO

Après plus de vingt ans sous le maillot portugais, Cristiano Ronaldo a quitté avec fracas le rassemblement de la Seleção à la suite de son conflit avec le sélectionneur. Des journaux sportifs aux grands quotidiens généralistes, les éditorialistes déplorent une décision égoïste qui met un terme à une carrière hors norme et s’interrogent sur la responsabilité de la Fédération portugaise de football.

C’est l’image d’une fin que personne n’avait imaginée. De dos, le numéro 7 s’éloigne sur la une d’A Bola, qui résume en trois mots le psychodrame qui secoue le Portugal : “Un triste adieu”. Après plus de vingt ans sous le maillot national, Cristiano Ronaldo a quitté mercredi 30 septembre le rassemblement de la Seleção à Copenhague, quelques heures après une conférence de presse de Jorge Jesus.

Le sélectionneur y avait réaffirmé son autorité et expliqué avoir prévu de n’utiliser sa star que lors de deux des quatre rencontres de ce rassemblement. A la veille du match contre le Danemark (qui aura lieu jeudi 1er octobre, à 21 heures) en Ligue des nations, Ronaldo, 41 ans et 234 sélections, est dans la foulée de cette déclaration parti en jet privé pour Madrid, promettant sur Instagram de dire, “le moment venu, la vérité à tous les Portugais”.

“Par la petite porte”

Jeudi matin, son départ fait la une de tous les journaux. “CR7 tourne le dos à la sélection”, titre O Jogo. Le quotidien sportif parle d’un “séisme mondial”. Record souligne que Ronaldo “s’en va après un clash avec Jesus”, tandis que le Correio da Manhã évoque une “rupture” avec le sélectionneur. Le Jornal de Notícias est plus définitif : “Fin de l’histoire. Ronaldo dit adieu à la sélection”. Le Diário de Notícias parle d’une “crise”, alors que Público s’interroge : “Est-ce la fin d’une époque ?”

“Trop de monde était otage de la marque Ronaldo”

Record distribue davantage les responsabilités. “L’histoire finit comme ça ?!” s’étonne son éditorialiste, qui reproche à Ronaldo de n’avoir “pas réussi à contenir sa colère”, mais accuse aussi Jorge Jesus de l’avoir exposé à des “humiliations successives” et surtout la FPF d’avoir échoué à gérer une crise qui pouvait encore l’être. “Quelle journée noire !”

CourrierInternational

Ciao Ronaldo... Obrigado por tudo que deste à Seleção e obrigado, também, por te ires embora ! ...

25 setembro 2026

Obito - JORGE PALMA DEIXOU-NOS : UMA TRISTEZA IMENSA


Morreu Jorge Palma, um dos nomes mais marcantes da música portuguesa das últimas décadas. O cantor tinha 76 anos.

A notícia foi confirmada esta segunda-feira à noite pela família e pela agência do artista, através das redes sociais oficiais de Jorge Palma.

«É com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte, ocorrida esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória», pode ler-se na mensagem.

Com uma carreira de mais de cinco décadas, Jorge Palma deixa uma obra que, segundo a família, «faz parte da história» portuguesa.

«Deixa uma obra assinalável que faz parte da história de Portugal, muitos amigos pelo mundo, pessoas que conquistou com a sua generosidade e genialidade», acrescenta a família.

Jorge Palma deixa assim um legado de mais de 50 anos ligado à música portuguesa.

Musica - CAROLINA LIGEIRO - A GAIVOTA

"A gaivota"