29 outubro 2026

Texto - MARIO BARRADAS : UM HISTORICO PROGRESSISTA

Reflectindo sobre a "Revolucão de Abril", não podia deixar de a ela associar o nome de Mario Barradas.

Nestes tempos conturbados em que a ganância e cobardia parecem caracterizar muitos dos nossos politicos, aqui vai a minha modesta homenagem a um Homem de conviccão.

Mario Barradas dedicou a sua vida à cena artistica e defesa da democracia.

Mario, como se dizia com o Marquês de Pombal, vem ver o que eles fizeram do nosso Portugal!

Dizia Mario Barradas, pouco antes de morrer :

"Tenho nojo daquilo em que Portugal se está a transformar. Eu sou um homem de teatro, actor e encenador, mas nunca me misturei com o que considero o gosto do dinheiro, o facilitismo e a falta de rigor".

Ver biografia:

Mário de Melo dos Santos Barradas (Ponta Delgada, 7 de Agosto de 1931 — Lisboa, 19 de Novembro de 2009) foi um encenador e actor, fundador na década de 1960 do Teatro Universitário de Moçambique e, mais tarde, do Centro Dramático de Évora, o CENDREV, de Évora. Foi uma das figuras mais marcantes do panorama teatral português após a Revolução dos Cravos.
Mário Barradas, como tantos outros, começou a interessar-se pelo Teatro no Liceu Nacional Antero de Quental, em Ponta Delgada, onde nasceu.
De 1949 a 1954, licencia-se em Direito pela Universidade de Lisboa, e em 1954 assina a sua primeira encenação com a peça O Mestre Escola de Keita Fodebado, um grande poeta da Guiné Conacri, com tradução de Mário Pinto de Andrade. Entretanto dizia poemas em diversos locais, Barreiro, Coimbra, Casa dos Estudantes do Império e Cooperativa dos Trabalhadores de Portugal.
Em 1956, como militar, partiu para Timor, e aí montou espectáculos, entre os quais "A Farsa de Mestre Pathelin" de autor anónimo do século XV.
Em 1962 partiu para Moçambique, onde fundou o Teatro de Amadores de Lourenço Marques (TALM) e onde, até Abril de 1969, montou e interpretou 19 textos de teatro, entre os quais textos de Giraudaux, Cervantes, Lorca, O'Casey, Albee, Ghelderode, Brecht, e outros. Exerceu advocacia nesse período.
Em Outubro de 1969, com uma bolsa da Fundação Gulbenkian, ingressou, como aluno, na Escola Superior de Arte Dramática do Teatro Nacional de Estrasburgo onde, em 1971, foi convidado para professor assistente. Em Junho de 1972, a convite da dra Madalena Perdigão, dirigiu o espectáculo final dos primeiros alunos da nova Reforma do Conservatório Nacional, tendo a partir de Outubro integrado a respectiva Comissão e passado a dirigir o mesmo Conservatório.
Ligou-se entretanto ao grupo de Teatro Independente Os Bonecreiros, onde encenou A Mosqueta de Ruzante, A Grande Imprecação Diante das Muralhas da Cidade de Dorst e Noite de Guerra no Museu do Prado, de Rafael Alberti, esta já depois da Revolução de 25 de Abril.
A partir de Maio de 1974 iniciou, com Norberto Ávila, a preparação da primeira companhia da Descentralização Teatral em Portugal e em 2 de Janeiro de 1975 fundou o Centro Cultural de Évora, mais tarde Centro Dramático de Évora – Cendrev, com sede no já centenário Teatro Garcia de Resende.
Encenou entretanto espectáculos em Viana do Castelo, Porto, Braga, Vila Real de Trás os Montes, no Teatro da Beira da Covilhã, Coimbra, nos Açores, e em diversos outros locais.
Dirigiu cursos de formação de actores em inúmeras localidades do país.
Em Évora, fundou, com o encenador Luís Varela, a Escola de Formação Teatral do Cendrev.
Encenou e interpretou textos de Aristófanes, Molière, Corneille, Mérimée, Büchner, Marivaux, Shakespeare, Goldoni, Tchekov, Turrini, Dorst, Bernard-Marie Koltèz, de quem foi colega e amigo, Vinaver, Bond, Gil Vicente, Sá de Miranda, Chiado, Garrett, Raul Brandão e muitos outros.
Fundou o Teatro da Malaposta com José Peixoto e José Martins.
Foi Presidente indigitado do IPAE, pelo Professor Manuel Maria Carrilho, em 1997, cargo de que se demitiu.
Foi director da revista ADÁGIO do Cendrev. Com a sua acção, Mário Barradas deu um contributo activo e fundamental para o desenvolvimento do panorama teatral português nas últimas décadas, razão pela qual recebeu a Medalha de Ouro da Cidade de Évora, a medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura, e em 1987 foi agraciado pelo Presidente da República Portuguesa com a comenda da Ordem do Mérito Cultural.
A morte inesperada impediu-o de realizar o último projecto em que, com grande entusiasmo, trabalhou: a encenação de Troilus e Créssida, de William Shakespeare, co-produção entre a Companhia Teatro de Almada, A Companhia de Teatro do Algarve e a Companhia de Teatro de Braga, cuja estréia estava prevista para 22 de Abril de 2010. Em sua substituição, e em homenagem a Mário Barradas, a peça será encenada pelo actor e encenador suíço Michel Kullemann, com cenografia e figurinos de Christian Ratz, cenógrafo francês do Teatro Nacional de Estrasburgo.
Foi sepultado no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.
Foi casado com Maria Joana de Faria Bento Pessoa, com quem teve três filhos, Rui, Miguel, e Nuno.
Acaba a sua autobiografia com a frase Duas últimas observações. "Partilho a ideologia marxista-leninista e tenho nojo daquilo em que Portugal se está a transformar. Eu sou um homem de teatro, actor e encenador, mas nunca me misturei com o que considero o gosto do dinheiro, o facilitismo e a falta de rigor".


ATé SEMPRE PRIMO !

29-10-2026
JoanMira
(José Antonio Barradas Mira)

14 outubro 2026

Historias de fadistas - BEATRIZ DA CONCEIçÃO - QUE GRANDE BESUGO !

Striptease e fado não são propriamente dois tipos de espetáculos compatíveis. A Beatriz da Conceição que, além de ser uma fadista com uma capacidade estrondosa para dar o seu estilo próprio às melodias mais tradicionais é também uma mulher cheia de frontalidade, bem o pode dizer. Ora venham daí saber porquê.

1974. Eu, o guitarrista Arménio de Melo e a fadista Beatriz da Conceição estávamos a atuar na "Taverna do Embuçado", quando o empresário Sérgio de Azevedo - que era um homem ousado para época - nos fez um convite: Durante quinze dias, teríamos um show de fado na sua recém-aberta casa de espetáculos, ali para os lados do Campo Grande, de nome "Frou-Frou".

Aceitámos o convite e lá fomos. Para os anos 70, o "Frou-Frou" era uma casa modernaça, com um palco elevatório e espetáculos para todos os gostos. Antes do fado, havia, nada mais, nada menos, do que striptease. Lembro-me de a artista austríaca entrar em palco através de uma língua gigante, que pendia numa boca que fazia parte do cenário. Do outro lado do palco havia um pénis com dois metros de altura, que servia de varão para a dança sensual.

Quando o strip acabava, as luzes eram desligadas, o aderecista retirava a boca e o pénis, e colocava as nossas duas cadeiras. Nós entrávamos no palco às apalpadelas para dar início à sessão da fado, que começava com as cortinas a abrir e a Beatriz a entrar a cantar.

"Que grande besugo!"

Ao fim de uma semana de espetáculos, era o dia de folga do aderecista e veio outra pessoa substituí-lo. Ninguém nos avisou, portanto fizemos o percurso habitual: findo o strip, entrámos no palco às escuras e sentámo-nos nas nossas cadeirinhas. Lembro-me de nessa noite o tema de abertura ser o "Canoa". Começámos a dedilhar os primeiros acordes, a cortina começou a abrir, acenderam-se as luzes e a Beatriz entrou em palco enfrentando um público que tentava conter o riso. Do lado direito do palco, lá estava ele: O pénis de dois metros.

Beatriz, que é conhecida pela sua veia portista, não conseguiu conter-se. Parou de cantar e, perante um público incrédulo, disse a seguinte frase: "Ena pá. Que granda besugo! A mim nunca me calhou uma coisa assim!"

A gargalhada foi geral e escusado será dizer que nessa noite foi pouco o silencio que se fez no "Frou-Frou" para se ouvir cantar o fado. O bom-humor, as larachas e as gargalhadas levaram a melhor.

"Meu corpo"

Vital d'Assunção (www.expresso.pt)

03 outubro 2026

Sport - EGOISME - EGOCENTRISME : L'ULTIME CAPRICE DE CRISTIANO RONALDO

Après plus de vingt ans sous le maillot portugais, Cristiano Ronaldo a quitté avec fracas le rassemblement de la Seleção à la suite de son conflit avec le sélectionneur. Des journaux sportifs aux grands quotidiens généralistes, les éditorialistes déplorent une décision égoïste qui met un terme à une carrière hors norme et s’interrogent sur la responsabilité de la Fédération portugaise de football.

C’est l’image d’une fin que personne n’avait imaginée. De dos, le numéro 7 s’éloigne sur la une d’A Bola, qui résume en trois mots le psychodrame qui secoue le Portugal : “Un triste adieu”. Après plus de vingt ans sous le maillot national, Cristiano Ronaldo a quitté mercredi 30 septembre le rassemblement de la Seleção à Copenhague, quelques heures après une conférence de presse de Jorge Jesus.

Le sélectionneur y avait réaffirmé son autorité et expliqué avoir prévu de n’utiliser sa star que lors de deux des quatre rencontres de ce rassemblement. A la veille du match contre le Danemark (qui aura lieu jeudi 1er octobre, à 21 heures) en Ligue des nations, Ronaldo, 41 ans et 234 sélections, est dans la foulée de cette déclaration parti en jet privé pour Madrid, promettant sur Instagram de dire, “le moment venu, la vérité à tous les Portugais”.

“Par la petite porte”

Jeudi matin, son départ fait la une de tous les journaux. “CR7 tourne le dos à la sélection”, titre O Jogo. Le quotidien sportif parle d’un “séisme mondial”. Record souligne que Ronaldo “s’en va après un clash avec Jesus”, tandis que le Correio da Manhã évoque une “rupture” avec le sélectionneur. Le Jornal de Notícias est plus définitif : “Fin de l’histoire. Ronaldo dit adieu à la sélection”. Le Diário de Notícias parle d’une “crise”, alors que Público s’interroge : “Est-ce la fin d’une époque ?”

“Trop de monde était otage de la marque Ronaldo”

Record distribue davantage les responsabilités. “L’histoire finit comme ça ?!” s’étonne son éditorialiste, qui reproche à Ronaldo de n’avoir “pas réussi à contenir sa colère”, mais accuse aussi Jorge Jesus de l’avoir exposé à des “humiliations successives” et surtout la FPF d’avoir échoué à gérer une crise qui pouvait encore l’être. “Quelle journée noire !”

CourrierInternational

Ciao Ronaldo... Obrigado por tudo que deste à Seleção e obrigado, também, por te ires embora ! ...

25 setembro 2026

Obito - JORGE PALMA DEIXOU-NOS : UMA TRISTEZA IMENSA


Morreu Jorge Palma, um dos nomes mais marcantes da música portuguesa das últimas décadas. O cantor tinha 76 anos.

A notícia foi confirmada esta segunda-feira à noite pela família e pela agência do artista, através das redes sociais oficiais de Jorge Palma.

«É com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte, ocorrida esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória», pode ler-se na mensagem.

Com uma carreira de mais de cinco décadas, Jorge Palma deixa uma obra que, segundo a família, «faz parte da história» portuguesa.

«Deixa uma obra assinalável que faz parte da história de Portugal, muitos amigos pelo mundo, pessoas que conquistou com a sua generosidade e genialidade», acrescenta a família.

Jorge Palma deixa assim um legado de mais de 50 anos ligado à música portuguesa.

Musica - CAROLINA LIGEIRO - A GAIVOTA

"A gaivota"

20 setembro 2026

Historias de Lisboa - OS "Eispostos" OU MENINOS DA RODA

A Roda, como esta preservada em Almeida, existiu em todos os concelhos

A semelhança de outros países católicos do sul da Europa, em Portugal, até à segunda metade do século XIX , existia o sistema da roda. Um mecanismo rotativo de madeira colocado numa porta ou janela discreta, por norma, de um hospital ou de uma casa religiosa. Ao rodar, uma sineta tocava para alertar para a chegada de uma nova criança, abandonada de forma anónima. Muitas vezes, a criança vinha acompanhada por uma nota escrita, que podia ser uma medalha, uma mecha de cabelo ou um bilhete cortado ao meio; um sinal que permitiria, em teoria, um dia, recuperar o filho ou a filha, num momento de menor aperto económico ou de posição social. Mas o abandono infantil foi também muitas vezes marcado por razões de ordem moral e religiosa.

Para entender o fenómeno da roda é preciso recuar a um tempo de elevada natalidade e mortalidade, de profundas desigualdades caracterizadas pela ausência do Estado e de medidas de proteção social. Tempos em que os conceitos de família e da infância eram profundamente diferentes dos da atualidade.

Por todo o país existiram rodas. Em Lisboa, foi a Santa Casa da Misericórdia que recebeu a esmagadora maioria dos abandonados – os expostos, como eram chamados. História de superação e de dificuldades económicas que levaram, por exemplo, à criação da lotaria nacional como forma de suprir as necessidades da instituição. ainda hoje uma poderosa metáfora do jogo de sorte e de azar que marcou a vida de muitos dos nossos antepassados.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

16 setembro 2026

Tesouros de Portugal - A CAPELA DAS ALMAS : UM SIMBOLO DA CIDADE DO PORTO


O essencial é invisível aos olhos, já dizia Saint-Exupéry, mas a aparência pode iludir, porque, seja no geral, seja no pormenor, para onde quer que se olhe, a capela combina com a cor da cidade. A fachada azul e branca faz as delícias de todos os que por aqui passam. E são muitos. A todas as horas, a todos os minutos, sucedem-se os que querem ficar com uma recordação para a posteridade.

De telemóvel em riste, há uma Babel de línguas que se avoluma frente à Capela das Almas. Não há portuense que não a conheça, não há turista que não venha ao Porto e queira levar a fotografia da capela mais 'instagramável' do país.

O Porto é um destino turístico por excelência. Está na moda e recebe gente de todo o mundo que, em média, fica dois dias, pouco tempo que é preciso concentrar no essencial.

São exatamente 15.947 azulejos, distribuídos por 360 metros quadrados, que fazem desta uma capela distinta da maior parte. A história contada aos quadradinhos azuis e brancos relata a vida de Santa Catarina de Alexandria e também de São Francisco, bem como tem alusões à Irmandade que a mandou construir, a das Almas e das Chagas de São Francisco, mas desengane-se quem pense que a capela sempre foi assim.

SicNoticias

09 setembro 2026

Tesouros de Portugal - A CAPELA DO SENHOR DA PEDRA


A sua historia

A história da Capela do Senhor da Pedra remonta a 1763, quando foi construída sobre um rochedo à beira-mar. Esta data, 17 de junho de 1763, marca a sua fundação.

Acredita-se que as raízes do culto na Capela do Senhor da Pedra possam remontar a antigas práticas pagãs, de caráter naturalista, praticadas pelos povos pré-cristãos, onde divindades eram reverenciadas em meio à natureza. Posteriormente, essa tradição foi incorporada ao Cristianismo.

A romaria ao Senhor da Pedra é uma das mais antigas e tradicionais de Vila Nova de Gaia e da freguesia de Gulpilhares. Anualmente, acontece nas praias do Senhor da Pedra, no domingo da Santíssima Trindade, estendendo-se até a terça-feira seguinte.

A lenda da luz enigmática

De acordo com a lenda, algo extraordinário ocorreu enquanto os habitantes da localidade de Gulpilhares, a freguesia onde o templo está situado, se preparavam para erigir a capela. A narrativa relata que o plano inicial da comunidade era erguer o templo na área conhecida como “arraial”. No entanto, à medida que as primeiras pedras e paredes eram erguidas, uma luz misteriosa começou a se manifestar.

Conforme a lenda, essa luz misteriosa apareceu de maneira tão persistente durante a noite que foi interpretada como um sinal divino para que a Capela do Senhor da Pedra fosse construída exatamente sobre aqueles rochedos. Assim, o plano original foi abandonado em favor da construção da capela no local onde a luz se manifestava.

D. Sebastião - Senhor da Pedra

Uma outra lenda notória relacionada com este local narra que, numa manhã envolta em nevoeiro, D. Sebastião fez com que o seu cavalo cravasse as patas em um dos rochedos, porém, de forma enigmática, ele retornou atrás sem adentrar nas praias portuguesas. Esta narrativa é frequentemente invocada como explicação para as duas marcas arredondadas e paralelas que podem ser avistadas no local.

Azulejos na Fachada da Capela do Senhor da Pedra

A Capela do Senhor da Pedra apresenta uma planta hexagonal e, em seu interior, ostenta um altar-mor e dois retábulos laterais esculpidos em talha dourada, no estilo barroco/rococó. Além disso, a capela abriga diversas estátuas religiosas, sendo a imagem de Cristo crucificado o destaque principal.


AgendaCulturalPorto

07 setembro 2026

Historias de Lisboa - O TEATRO ROMANO NA COLINA DO CASTELO


A meio caminho entre a colina do Castelo de São Jorge, em Lisboa e o rio Tejo existe um monumento gigantesco e de importância excecional do qual poucas pessoas ouviram falar (e menos ainda visitaram).

O teatro romano de Olissipo foi mandado construir, há cerca de 2 mil anos por um império em afirmação e crescimento que, há 2 mil anos, se estendia, a norte, das florestas da Germânia até, a sul, às costas mediterrânicas do norte de áfrica; dos confins do atual Médio Oriente até, precisamente, ao extremo mais ocidental da Europa.

Quem ousasse passar de barco ao largo de Olissipo, no início deste Era, não poderia ter dúvidas de que aquela era terra do Império, ao ver, a meio da colina, o edifício do monumental teatro. Nele, chegaram a caber mais de 4 mil espectadores (hoje o maior teatro de Lisboa terá pouco mais de 1000 lugares), e foi palco para alguns dos mais importantes acontecimentos da cidade: teatrais mas também políticos, religiosos e rituais.

Mas, numa importante lição da História de que a glória é sempre passageira, o gigante da colina de Olissipo desapareceu com as ruínas do Império. Assim permaneceu esquecido, durante séculos, por debaixo das pedras da cidade até que o terramoto de 1755 -- e a reconstrução da cidade – o trouxeram de novo à luz do dia, numa obra de resgate da memória que, apesar de tudo, continua por terminar.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

04 setembro 2026

Historias de fadistas - HERMINIA SILVA : O DIA EM QUE LEVOU UM APALPÃO EM PALCO

Há atrações literalmente fatais e que podem terminar numa grande confusão. Que o digam a fadista Hermínia Silva, o forcado e o estivador... ora venham daí saber porquê.

Anos 60, restaurante "Solar da Hermínia". Tal como o nome indica, esta casa de fados pertencia à saudosa Hermínia Silva (que em relação ao povo deve ter sido mais acarinhada do que a própria Amália), essa grande fadista popular, do cinema, da revista... enfim, se isto fosse medicina ela teria sido uma fabulosa médica de clínica geral. Percebia de tudo.

Numa noite ela ficou sem guitarrista e não conseguia encontrar ninguém que estivesse livre. Como último recurso, lembrou-se de um tipo que era o "Joaquim Alemão", um estivador que tocava só aos fins de semana. Era o género de guitarrista do desenrasque.

A Hermínia tinha por mania ensaiar o reportório com os guitarristas novos na cave e nesse dia cumpriu a tradição. O Joaquim tinha uma adoração secreta por ela e quando a viu já toda meio produzida engoliu em seco e manteve a calma enquanto ensaiava. Para que não restem dúvidas: A Hermínia era um verdadeiro mulherão, muito vistosa.

Com o vestido justinho, parecia uma viola...

No início da noite começaram os fados e ela era a última a cantar. Quando apareceu com um vestido justinho... parecia uma viola, com as curvas todas acentuadas. Pôs-se à frente do "Alemão", virada para o público, pronta para cantar. Ele começou a tocar, enquanto olhava insistentemente para o rabo dela. Ao fim de uns acordes não resistiu, deu-lhe um palmadão no rabo e disse: "Ah fazenda!".

O marido da Hermínia, que era o Guerreiro, forcado em Benavente, não foi de modas: Saltou da mesa e atirou-se ao guitarrista. A noite de fados acabou por ali, com um verdadeiro duelo entre um forcado e um estivador. Escusado será dizer que o Joaquim teve de meter a viola no saco e sair dali mal conseguiu.

"Santo Antonio de Lisboa"

Vital D'Assunção - Expresso

31 agosto 2026

Historias de Lisboa - VIAGEM AO SUBMUNDO DO CAIS DO SODRé

Já lhe chamaram ‘Cata-que-farás’ ou ‘bairro dos Remolares’, mas ultimamente ganhou o nome de ‘Rua cor-de-rosa’, mas no dialeto lisboeta, será sempre o ’Caixodré'.

Sítio triplamente marginal (porque nas margens do rio, da lei e das muralhas da cidade), este cais de Lisboa é casa para infinitas histórias de aquém e de além mar, porque a ele sempre acorreram pessoas dos quatro cantos do mundo.

Os primeiros ecos do lugar surgem de um tempo em que ali ainda havia uma praia do Tejo. E ja nessa altura tinha uma feição boémia. Que o diga Gil Vicente, que nele situou a história da mulher que procurava, em tempos de carestia, pelo melhor vinho da cidade. Era esse o “Pranto de Maria Parda”, aquele que o nome grande do teatro português considerava a maior a maior bêbeda da cidade.

Acabaria por ser outro Vicente, de apelido Sodré, cuja família residia por ali desde há séculos, que viria a dar o nome ao cais mais famoso da cidade.

Por ali travaram-se algumas das maiores lutas ideológicas da cidade, mas também do mundo: das eternas conspirações políticas de britânicos e franceses, às guerras entre liberais e miguelistas. Foi palco de contendas, duelos, recebeu os primeiros hoteis e restaurantes de ‘categoria’, foi cenário para algumas das mais significativas obras da literatura portuguesa, como a famosa cena dramática de Carlos da Maia e Maria Eduarda, nos ‘Maias’ de Eça de Queirós. A noite e a boémia serviram de refúgio de espiões da II Guerra Mundial, criminosos foragidos (até internacionais, como o assassino de Martin Luther King), mas também das classes mais desfavorecidas de Lisboa, das prostitutas, de artistas e opositores à Ditadura. Foi nele que triunfou a liberdade da noite surgida após o 25 de abril.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

24 agosto 2026

Cap-Vert : VILLAGES PERCHéS AU COEUR DE MONTAGNES VERTIGINEUSES


Dans les reliefs abrupts du Cap-Vert, des villages se dressent à la limite du vide. Les maisons de pierre, simples et solides, s'accrochent aux versants comme pour défier le temps. Autour, de petites terrasses cultivées témoignent de la patience des habitants qui, génération après génération, font pousser leurs récoltes dans une terre aride et exigeante. Ici, la vie se déroule au rythme des saisons, entre l'isolement imposé par la montagne et la force de la communauté villageoise. C'est dans cet équilibre fragile que se révèle toute l'authenticité des hauteurs capverdiennes.

Au lever du soleil, les habitants sortent tôt pour rejoindre leurs champs, profitant de la fraîcheur matinale avant que la chaleur n'envahisse la vallée. Les enfants parcourent à pied les sentiers escarpés pour se rendre à l'école, tandis que les anciens restent à l'ombre des arbres, gardiens de la mémoire des lieux. L'eau, rare et précieuse, est partagée avec soin, et chaque récolte est le fruit d'un travail collectif. Ici, loin du bruit du monde, la vie se concentre sur l'essentiel : la famille, la terre et la solidarité.

© GJ

23 agosto 2026

Lisbonne orientale : UNE MERVEILLEUSE DECOUVERTE TOURISTIQUE (4/4)


L'aquarium de Lisbonne

L'aquarium de Lisbonne s'est révélé être vraiment magnifique ! Pourtant on doit avouer que nous ne sommes pas de gros fans de zoo ni d'aquarium (pour des raisons éthiques) mais il faut dire qu'on en a pris plein les yeux.


Accessoirement le plus grand aquarium d'Europe, il y a surtout au beau milieu un immense bassin qui occupe deux étages et qui peut être observé à ses deux niveaux. Des dizaines (centaines?) de poissons y vivent et semblent de plutot bien s'y plaire. Faut dire qu'avec ses 5000 mètres cube d'eau, les poissons lunes, manchots et autre requins ont de quoi se balader.


Quant aux autres espèces, il y a de quoi voir. Mention spéciale aux manchots mais aussi aux loutres qui savent y faire en matière de mignonnerie. Et ca tourne, ça se retourne, et vas-y que je fais des espèces de bisous à l'autre loutre. Bref le parfait spectacle pour faire fondre a peu près tous les gosses et les mamans qui regardent les petites bêtes faire le show (et nous).


Voilà, on y a passé deux heures à s'émerveiller de la nature, à en prendre plein les yeux autour de tous les bassins.

Miles&Love

22 agosto 2026

Lisbonne orientale : UNE MERVEILLEUSE DECOUVERTE TOURISTIQUE (3/4)


En redescendant de notre petite cabine d'ailleurs, le soleil commençait franchement à se montrer alors plutôt que de filer direct s'enfermer dans l'aquarium, on a décidé, en bons parisiens en manque de soleil, qu'on se prendrait bien un petit truc a manger en terrasse, histoire aussi de gouter pour la première fois aux spécialités locales.


Hop quelques tables au bord du Tage, quelques nappes en papier, on s'est installé et on a commencé à essayer de déchiffrer ce qu'on allait manger. Et après avoir mangé nos premiers beignets de morue et haricots verts panés (oui oui on fait paner les haricots verts ici), on a finalement pris le chemin de l'aquarium. Enfin presque...


Oui parce qu’encore une fois, on est tombé sur un endroit vraiment cool, le Jardim da aga, à quelques mêtres de l’Aquarium, un petit jardin plein de sculptures et installations plus sympas les unes que les autres. Ici un instrument qui fait du bruit, là on peut jouer avec l'eau. Le summum étant cette magnifique cascade sous laquelle on est passé pour accéder à l'aquarium.

Miles&Love

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20 agosto 2026

Lisbonne orientale : UNE MERVEILLEUSE DECOUVERTE TOURISTIQUE (2/4)


L’impressionnant pont Vasco de Gama

En se baladant le long du Tage, le pont en ligne de mire, on a senti l'iode nous titiller le nez. La marée était basse et le sable à nu donnait un coté un peu sauvage, ici en plein coeur de la ville.

Le pont Vasco de Gama est réellement dingue de par sa longueur, en tout plus de 17km (apparemment le plus grand d'Europe). Mais surtout, il est assez majestueux surplombant allègrement le Tage et semblant ne jamais finir, le bout du pont se fondant dans les nuages présents ce jour là. On a donc fait nos petites photos, profité de l’air marin et admirer la vue.

Prendre de la hauteur en télécabine


Alors qu'on papillonnait dans le quartier en direction de l'Aquarium de Lisbonne, on s'est rendu compte qu'il y avait des télécabines qui permettait au choix d'éviter de se retaper le kilomètre qu'on venait de faire dans l'autre sens, et/ou de voir le quartier sous un autre angle. Il ne nous en fallait pas plus, on a donc payé quelques euros pour prendre de la hauteur et voir le quartier.

C'est ainsi qu'on s'est jeté dans la première nacelle venue pour un petit voyage de 5 min avec vue panoramique sur le Tage et les environs. D'ailleurs, on s'est aperçu avec plaisir que le ciel commençait à se découvrir, donnant à l'eau de beaux reflets turquoise.

C'est plutôt joli Lisbonne vu en télécabine. Bon les constructions récentes, souvent hautes empêchent un peu d'avoir vue sur toute la ville mais malgré tout le spectacle est chouette et on ne se lasse pas de regarder le Tage.

Miles&Love

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17 agosto 2026

Lisbonne orientale : UNE MERVEILLEUSE DECOUVERTE TOURISTIQUE (1/4)

A la découverte du quartier Vasco de Gama

Bon en vrai le quartier ne s'appelle pas Vasco de Gama. Mais il semblerait que le célèbre explorateur portugais ait inspiré les gens du coin puisqu'ici à peu près tout est affublé du nom Vasco de Gama. Le pont, le centre commercial, la tour...

En sortant du métro, on a pu découvrir un quartier résolument moderne, l'antithèse du Lisbonne historique que nous avions à peine découvert la veille au soir, en arrivant.

Moderne au point que dès les premiers pas, tu es accueilli directement par un centre commercial, le... Vasco de Gama Shopping Center.

N'étant pas trop fans des centres commerciaux et encore moins en vacances, on a passé notre chemin. Mais à l'image du quartier, il faut lui reconnaître un coté futuriste assez sympa et on apprendra plus tard qu'à la base, le bâtiment a été construit pour l'exposition internationale 98 et fut ensuite transformé en centre commercial (ceci explique cela).


Dans le coin il y a au moins une chose qu'il ne faut pas louper, c'est l'immense et impressionnant pont Vasco de Gama. On s'est donc éloigné rapidement profitant qu'il ne pleuve pas encore pour aller voir à quoi ressemblait l'un des deux ponts emblématiques de la ville.

Situé tout de même à au moins 1 kilomètre du centre, on a donc pu se balader de jardins en jardins et découvrir un quartier récent, super sympa et créatif. Évidemment on est loin des petites ruelles de quartiers comme l'Alfama, mais malgré tout cela a un vrai charme.

A mi chemin, alors qu’on longeait le Tage, on a pu s'arrêter quelques instants au pied de l'immense tour Vasco de Gama, dont l'architecture futuriste lui confère des faux airs de Dubai.

MilesAndLove

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Musica - D.A.M.A. - MÃE

"Mãe"

14 agosto 2026

Historias de Lisboa - SANTO ANTONIO

Saltar à fogueira, queimar ervas aromáticas, ir às fontes e 'deitar as sortes': as velhas tradições das festas de Santo António.

Durante séculos pensava-se que o nascimento de Fernando Martins de Bulhões tinha ocorrido, em Lisboa, quatro anos mais tarde, mas uma exumação científica autorizada pelo Vaticano, realizada em Pádua, em 1981, veio a indiciar que, afinal, aquele que veio a ser Santo António deverá ter nascido em 1191.

Significa que isto que Fernando veio ao mundo apenas seis anos depois da morte de D. Afonso Henriques, numa cidade que, uma geração atrás, era chamada de Al-Ushbuna e tinha, há menos de 50 anos, o Islão como religião oficial. O futuro santo cresceu numa família burguesa junto à recém-inaugurada Sé Catedral (antes, a mesquita aljama) e, bem cedo, abraçou o sacerdócio da vida religiosa, para militar na jovem e revolucionária (para a época) ordem dos franciscanos.

Teve uma vida aventureira e uma ascensão meteórica: de Lisboa rumou a Coimbra, dali a Marrocos e, finalmente, a França e Itália. Em poucos anos, tornou-se “famoso” graças aos dotes de oratória, conheceu o próprio São Francisco de Assis e, ao morrer, aos 40 anos, protagonizou a mais rápida canonização da Igreja Católica (11 meses). Pode dizer-se que foi o primeiro caso de internacionalização portuguesa no estrangeiro.

Com a morte veio o culto. A fama dos milagres e uma intensa devoção alteraram o perfil do sisudo doutor das letras para o santo brincalhão e casamenteiro. Para o que muito concorreu a associação à simbologia de São João, companheiro, a par de São Pedro, na trilogia dos santos que partilham o mês do solstício de verão no hemisfério norte, e com ele as velhas tradições imemoriais do paganismo, da fertilidade das colheitas e da fecundidade.

O culto do santo espalha-se pelo mundo, mas em Lisboa vai ganhar cada vez mais significados. Adotado primeiro como símbolo da afirmação régia da coroa portuguesa, logo passou a sinónimo de poder local do senado da capital. O culto religioso deu lugar a festas profanas, com arraiais, marchas ao flambó e as outras, chamadas de populares, reinventadas em plena ditadura militar, e que nos chegam quase um século mais tarde, sob a forma da festa e liberdade.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

08 agosto 2026

Historias de fadistas - BERTA CARDOSO E OS PAPAGAIOS DE DISCOS

Para quem não sabe, a Berta Cardoso era uma enfermeira parteira que tinha o ciclo preparatório. Naquela época ter a 4º classe já era bom, ter o ciclo era fabuloso. Ao mesmo tempo conciliava uma saudosa carreira de muitos anos no fado, quando a Amália nem sequer sonhava cantar.

A Berta era uma mulher com muito bom humor: uma vez encontrei-a na "Viela", na altura a minha paragem obrigatória ao fim da noite antes de ir dormir. Na altura andava a tal rapariga nova a cantar por lá. Até cantava muito bem, mas era um bocado papagaia: aprendia pelos discos e fazia reproduções fiéis quando cantava, inclusive dos erros.

Havia o fado "Que Deus me Perdoa, que em certa parte diz "cantando dou brado e nada me dói". Mas a Amália comia um bocadinho as palavras e percebia-se "cantando dobrado e nada me dói". Claro que a menina dizia o mesmo erro, dando-lhe até alguma acentuação.

No final da noite a Berta decidiu chamá-la à atenção mas levou como resposta: "É assim que a dona Amália canta, portanto está bem!". Passados dois dias, Berta Cardoso voltou a chamar a menina á parte para corrigi-la no mesmo verso e ela voltou a mostrar a postura arrogante de papagaia de discos: "Fui para casa ouvir e no disco é assim que ela canta!"

Lembro-me de não conseguir conter o riso quando a Berta, que não tinha papas na língua, se saiu com a seguinte pérola: "Ai é? Então olhe menina, ele estendido e rijo já é difícil, quanto mais dobrado e mole... tenha juízo e pense por si mesma!".


Berta Cardoso - Fado antigo

Vital d'Assunção - expresso

03 agosto 2026

Historias de Lisboa - ASCENSORES E ELEVADORES


Entre 1884 e 1901, Lisboa assiste à concretização de um sonho: a construção de uma rede de ascensores e elevadores que ousavam vencer as íngremes colinas que tanta moléstia causavam aos lisboetas e sofrimento ao transporte de tração animal. Inspirados nas inovações importadas dos Estados Unidos e no centro da Europa, e tendo como exemplo o funicular do Bom Jesus de Braga já em funcionamento desde 1882, os primitivos veículos eram movidos através de mecanismos de contrapeso de água e a vapor, o que obrigava a paragens frequentes sobretudo nos meses de verão, quando rareava a água.

O primeiro a ser projetado foi o da Glória, mas acabaria por caber ao do Lavra (1884), na colina oposta da Avenida da Liberdade, as honras de pioneiro da capital. Dois anos mais tarde, a 24 de outubro de 1885, no dia da abertura do Elevador da Glória, compareceram algumas das figuras mais importantes da cidade. As fotografias e gravuras da época mostram algumas das figuras mais importantes da cidade, com chapéu alto e fatos de gala, a empreenderam a viagem inaugural dos Restauradores ao Bairro Alto. Algumas utilizaram o piso superior descoberto, a “Imperial”, que caracterizava, então, o carro da Glória.

Iniciava-se um período de cerca de 20 anos marcado pela expansão da rede, com linhas concessionadas pela Câmara Municipal a empresas privadas, obras de engenharia que viriam a irromper pelas colinas e por alguns dos bairros populares. Estrela, Chiado, Bica, Mouraria e Graça passariam a estar servidas por elevadores e ascensores, alguns descrevendo por vezes curvas surpreendentes para uma tecnologia concebida para ruas tendencialmente ortogonais, causando espanto, muitos percalços e alguns acidentes.

A última das linhas, a extinta carreira do Rossio a São Sebastião da Pedreira, viria a ser inaugurada quando a eletrificação, no início do século XX, tornava já obsoleta e ultrapassada a velha tecnologia dos elevadores de Lisboa. Terminava o reinado dos pioneiros ascensores da capital, já então apelidados, na gíria lisboeta de então, como “maximbombos", “coisas podres”, “a cair de miséria” e a “atravessar as ruas da cidade aos tombos, a chiar desesperadamente sobre as calhas tortuosas”.


MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

26 julho 2026

Alentejo (Portugal) - EVORA (10) - ALTO DE SÃO BENTO


Pour un magnifique point de vue sur la ville, prenez la direction de São Bento de Catris. L’Alto de São Bento vous offrira une vue panoramique sur « la ville-musée ». Le site se trouve à environ trois kilomètres au nord-ouest du centre historique. Sur la colline, vous pourrez aussi voir d’anciens moulins à vent. Le site est parfait pour admirer le coucher de soleil.

GoToPortugal

25 julho 2026

Historias de fadistas - O DIA EM QUE AMALIA IA SENDO PRESA

Que Amália era glamourosa todos sabemos. Mas que tinha também um lado bem espontâneo e popular que quase a levou à prisão, já nem todos fazem ideia.

Finais dos anos 60, na "Adega Machado" (casa de fado de renome mundial que infelizmente fechou portas em 2009). Todas as noites, ao fim de fado e folclore, o espectáculo fechava sempre com a "Marcha do Machado", uma brincadeira que levava à escolha de pessoas do público para interagir numa mini marcha popular com os artistas da casa.

Numa noite em que Amália Rodrigues jantava na "Adega Machado", um dos bailarinos escolheu-a e a diva do fado encabeçou a marcha, sorridente, com arco e balão na mão. Espontânea, como sempre, sem avisar resolveu sair do restaurante, levando atrás bailarinos, clientes, fadistas, guitarristas e empregados de mesa que decidiram alinhar na brincadeira. O inédito aconteceu: a "Marcha do Machado", acabou por seguir Bairro Alto fora, com Amália à frente e uma legião de muitos desconhecidos a acompanhar.

"Estão todos presos!"

Num cruzamento da Rua da Atalaia com a Travessa da Queimada, dois "polícias de giro" (na altura, nome que se dava aos agentes de bairro) interceptaram a marcha. Sob a velha máxima pré-25 de Abril, declararam: "Mais do que duas pessoas é um ajuntamento... ou uma manifestação comunista. Está tudo preso!". A marcha parou, o silêncio deu lugar à euforia anterior.

Entre olhares temerosos, todos se preparavam para passar uma noite na esquadra quando surgiu, por acaso, o chefe da esquadra da Mercês, celebrizado com a alcunha de "o bailarino" (segundo consta que tinha boa esquiva e usava passos de bailarino nas suas intervenções). Ao ver o grupo, ouviu a explicação dos seus agentes e concordou com a detenção... até que viu quem encabeçava a brincadeira.

Chefe: Mas é a dona Amália Rodrigues numa manifestação?
Amália: Sou, sim senhor. Mas isto não é uma manifestação, é só a "Marcha da Adega Machado".
Chefe: Bem, se é a dona Amália que vai à frente, então siga a marcha!

Quebrou-se o silêncio, voltou-se a cantar e a marcha seguiu até à "Adega Machado" com três novos marchantes (embevecidos pela rainha das fadistas): os três temidos polícias.

Sem sequer cantar o fado, com o seu dom de arrastar multidões, Amália acabou por ser, como sempre, a estrela da noite.

PortalDoFado

11 julho 2026

Cap-Vert - DANS LES ENTRAILLES D'UN VOLCAN OUVERT SUR L'OCEAN

 

Cette vue spectaculaire révèle un ancien cône volcanique aux teintes rougeâtres, entouré d'un paysage aride où la végétation reprend peu à peu sa place. En contrebas, l'océan Atlantique s'étend à perte de vue, laissant apparaître les silhouettes d'autres îles de l'archipel. Un contraste saisissant entre la terre volcanique, la mer et le ciel qui illustre parfaitement la richesse géologique du Cap-Vert.

Ce volcan, aujourd'hui endormi, témoigne d'un passé où le feu et la lave ont façonné l'archipel, il y a des milliers d'années. L'érosion a adouci ses flancs, mais ses couleurs sombres et rouges rappellent l'énergie brute qui l'a fait naître. Tout autour, de jeunes pousses vertes s'accrochent à la roche noire, signe de la résilience de la nature. Le silence qui règne ici n'est interrompu que par le souffle du vent, donnant au visiteur la sensation d'assister à une scène hors du temps, où l'âge de la Terre se lit à ciel ouvert.

© GJ

08 julho 2026

Historias de Lisboa - AS CHEIAS DE 1967 (2/2)

De Colares a Vila Franca de Xira, as ribeiras transbordaram e uma lama assassina arrastou casas, estradas, animais e pessoas. Ainda hoje não se sabe ao certo o número de mortos. 5 dias após a tragédia, a censura deu ordens para parar a contagem, então nas 462 vítimas mortais, e abafar ou minimizar toda e qualquer a notícia sobre as consequências da catástrofe.

As mortes ocorreram sobretudo na área metropolitana, fora do núcleo central onde o planeamento urbano, as redes de esgotos e as condições de vida eram, apesar de tudo, mais favoráveis. Ainda assim, uma torrente de lama invadiu condutas do Aqueduto das Águas Livres, o que obrigou a interromper o abastecimento à capital. Muitos habitantes tiveram de recorrer aos antigos chafarizes, bicas e fontanários. Para além da falta de água, durante vários dias, houve falta de pão e de recolha de lixo. Nos arredores, acumulavam-se os cadáveres em putrefação, quer de animais e quer de vítimas humanas.

A dimensão da tragédia motivou uma resposta generalizada de ajuda por parte de diversos países, que o regime – isolado e alvo de críticas nas instâncias internacionais – recusou. Contra a vontade das autoridades, uma onda de solidariedade eclodiu por parte da população estudantil, de Lisboa, Porto e Coimbra que, por via da tragédia, acabou por tomar contacto com as terríveis condições de vida – e de morte – de muitos habitantes dos bairros periféricos da capital. Essa experiência, a par da repressão estudantil e da ameaça de recrutamento para a guerra colonial, concorreram para despertar uma consciência política que viria a ter consequência na revolução de 1974.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias