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20 setembro 2026

Historias de Lisboa - OS "Eispostos" OU MENINOS DA RODA

A Roda, como esta preservada em Almeida, existiu em todos os concelhos

A semelhança de outros países católicos do sul da Europa, em Portugal, até à segunda metade do século XIX , existia o sistema da roda. Um mecanismo rotativo de madeira colocado numa porta ou janela discreta, por norma, de um hospital ou de uma casa religiosa. Ao rodar, uma sineta tocava para alertar para a chegada de uma nova criança, abandonada de forma anónima. Muitas vezes, a criança vinha acompanhada por uma nota escrita, que podia ser uma medalha, uma mecha de cabelo ou um bilhete cortado ao meio; um sinal que permitiria, em teoria, um dia, recuperar o filho ou a filha, num momento de menor aperto económico ou de posição social. Mas o abandono infantil foi também muitas vezes marcado por razões de ordem moral e religiosa.

Para entender o fenómeno da roda é preciso recuar a um tempo de elevada natalidade e mortalidade, de profundas desigualdades caracterizadas pela ausência do Estado e de medidas de proteção social. Tempos em que os conceitos de família e da infância eram profundamente diferentes dos da atualidade.

Por todo o país existiram rodas. Em Lisboa, foi a Santa Casa da Misericórdia que recebeu a esmagadora maioria dos abandonados – os expostos, como eram chamados. História de superação e de dificuldades económicas que levaram, por exemplo, à criação da lotaria nacional como forma de suprir as necessidades da instituição. ainda hoje uma poderosa metáfora do jogo de sorte e de azar que marcou a vida de muitos dos nossos antepassados.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

16 setembro 2026

Tesouros de Portugal - A CAPELA DAS ALMAS : UM SIMBOLO DA CIDADE DO PORTO


O essencial é invisível aos olhos, já dizia Saint-Exupéry, mas a aparência pode iludir, porque, seja no geral, seja no pormenor, para onde quer que se olhe, a capela combina com a cor da cidade. A fachada azul e branca faz as delícias de todos os que por aqui passam. E são muitos. A todas as horas, a todos os minutos, sucedem-se os que querem ficar com uma recordação para a posteridade.

De telemóvel em riste, há uma Babel de línguas que se avoluma frente à Capela das Almas. Não há portuense que não a conheça, não há turista que não venha ao Porto e queira levar a fotografia da capela mais 'instagramável' do país.

O Porto é um destino turístico por excelência. Está na moda e recebe gente de todo o mundo que, em média, fica dois dias, pouco tempo que é preciso concentrar no essencial.

São exatamente 15.947 azulejos, distribuídos por 360 metros quadrados, que fazem desta uma capela distinta da maior parte. A história contada aos quadradinhos azuis e brancos relata a vida de Santa Catarina de Alexandria e também de São Francisco, bem como tem alusões à Irmandade que a mandou construir, a das Almas e das Chagas de São Francisco, mas desengane-se quem pense que a capela sempre foi assim.

SicNoticias

09 setembro 2026

Tesouros de Portugal - A CAPELA DO SENHOR DA PEDRA


A sua historia

A história da Capela do Senhor da Pedra remonta a 1763, quando foi construída sobre um rochedo à beira-mar. Esta data, 17 de junho de 1763, marca a sua fundação.

Acredita-se que as raízes do culto na Capela do Senhor da Pedra possam remontar a antigas práticas pagãs, de caráter naturalista, praticadas pelos povos pré-cristãos, onde divindades eram reverenciadas em meio à natureza. Posteriormente, essa tradição foi incorporada ao Cristianismo.

A romaria ao Senhor da Pedra é uma das mais antigas e tradicionais de Vila Nova de Gaia e da freguesia de Gulpilhares. Anualmente, acontece nas praias do Senhor da Pedra, no domingo da Santíssima Trindade, estendendo-se até a terça-feira seguinte.

A lenda da luz enigmática

De acordo com a lenda, algo extraordinário ocorreu enquanto os habitantes da localidade de Gulpilhares, a freguesia onde o templo está situado, se preparavam para erigir a capela. A narrativa relata que o plano inicial da comunidade era erguer o templo na área conhecida como “arraial”. No entanto, à medida que as primeiras pedras e paredes eram erguidas, uma luz misteriosa começou a se manifestar.

Conforme a lenda, essa luz misteriosa apareceu de maneira tão persistente durante a noite que foi interpretada como um sinal divino para que a Capela do Senhor da Pedra fosse construída exatamente sobre aqueles rochedos. Assim, o plano original foi abandonado em favor da construção da capela no local onde a luz se manifestava.

D. Sebastião - Senhor da Pedra

Uma outra lenda notória relacionada com este local narra que, numa manhã envolta em nevoeiro, D. Sebastião fez com que o seu cavalo cravasse as patas em um dos rochedos, porém, de forma enigmática, ele retornou atrás sem adentrar nas praias portuguesas. Esta narrativa é frequentemente invocada como explicação para as duas marcas arredondadas e paralelas que podem ser avistadas no local.

Azulejos na Fachada da Capela do Senhor da Pedra

A Capela do Senhor da Pedra apresenta uma planta hexagonal e, em seu interior, ostenta um altar-mor e dois retábulos laterais esculpidos em talha dourada, no estilo barroco/rococó. Além disso, a capela abriga diversas estátuas religiosas, sendo a imagem de Cristo crucificado o destaque principal.


AgendaCulturalPorto

07 setembro 2026

Historias de Lisboa - O TEATRO ROMANO NA COLINA DO CASTELO


A meio caminho entre a colina do Castelo de São Jorge, em Lisboa e o rio Tejo existe um monumento gigantesco e de importância excecional do qual poucas pessoas ouviram falar (e menos ainda visitaram).

O teatro romano de Olissipo foi mandado construir, há cerca de 2 mil anos por um império em afirmação e crescimento que, há 2 mil anos, se estendia, a norte, das florestas da Germânia até, a sul, às costas mediterrânicas do norte de áfrica; dos confins do atual Médio Oriente até, precisamente, ao extremo mais ocidental da Europa.

Quem ousasse passar de barco ao largo de Olissipo, no início deste Era, não poderia ter dúvidas de que aquela era terra do Império, ao ver, a meio da colina, o edifício do monumental teatro. Nele, chegaram a caber mais de 4 mil espectadores (hoje o maior teatro de Lisboa terá pouco mais de 1000 lugares), e foi palco para alguns dos mais importantes acontecimentos da cidade: teatrais mas também políticos, religiosos e rituais.

Mas, numa importante lição da História de que a glória é sempre passageira, o gigante da colina de Olissipo desapareceu com as ruínas do Império. Assim permaneceu esquecido, durante séculos, por debaixo das pedras da cidade até que o terramoto de 1755 -- e a reconstrução da cidade – o trouxeram de novo à luz do dia, numa obra de resgate da memória que, apesar de tudo, continua por terminar.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

04 setembro 2026

Historias de fadistas - HERMINIA SILVA : O DIA EM QUE LEVOU UM APALPÃO EM PALCO

Há atrações literalmente fatais e que podem terminar numa grande confusão. Que o digam a fadista Hermínia Silva, o forcado e o estivador... ora venham daí saber porquê.

Anos 60, restaurante "Solar da Hermínia". Tal como o nome indica, esta casa de fados pertencia à saudosa Hermínia Silva (que em relação ao povo deve ter sido mais acarinhada do que a própria Amália), essa grande fadista popular, do cinema, da revista... enfim, se isto fosse medicina ela teria sido uma fabulosa médica de clínica geral. Percebia de tudo.

Numa noite ela ficou sem guitarrista e não conseguia encontrar ninguém que estivesse livre. Como último recurso, lembrou-se de um tipo que era o "Joaquim Alemão", um estivador que tocava só aos fins de semana. Era o género de guitarrista do desenrasque.

A Hermínia tinha por mania ensaiar o reportório com os guitarristas novos na cave e nesse dia cumpriu a tradição. O Joaquim tinha uma adoração secreta por ela e quando a viu já toda meio produzida engoliu em seco e manteve a calma enquanto ensaiava. Para que não restem dúvidas: A Hermínia era um verdadeiro mulherão, muito vistosa.

Com o vestido justinho, parecia uma viola...

No início da noite começaram os fados e ela era a última a cantar. Quando apareceu com um vestido justinho... parecia uma viola, com as curvas todas acentuadas. Pôs-se à frente do "Alemão", virada para o público, pronta para cantar. Ele começou a tocar, enquanto olhava insistentemente para o rabo dela. Ao fim de uns acordes não resistiu, deu-lhe um palmadão no rabo e disse: "Ah fazenda!".

O marido da Hermínia, que era o Guerreiro, forcado em Benavente, não foi de modas: Saltou da mesa e atirou-se ao guitarrista. A noite de fados acabou por ali, com um verdadeiro duelo entre um forcado e um estivador. Escusado será dizer que o Joaquim teve de meter a viola no saco e sair dali mal conseguiu.

"Santo Antonio de Lisboa"

Vital D'Assunção - Expresso

31 agosto 2026

Historias de Lisboa - VIAGEM AO SUBMUNDO DO CAIS DO SODRé

Já lhe chamaram ‘Cata-que-farás’ ou ‘bairro dos Remolares’, mas ultimamente ganhou o nome de ‘Rua cor-de-rosa’, mas no dialeto lisboeta, será sempre o ’Caixodré'.

Sítio triplamente marginal (porque nas margens do rio, da lei e das muralhas da cidade), este cais de Lisboa é casa para infinitas histórias de aquém e de além mar, porque a ele sempre acorreram pessoas dos quatro cantos do mundo.

Os primeiros ecos do lugar surgem de um tempo em que ali ainda havia uma praia do Tejo. E ja nessa altura tinha uma feição boémia. Que o diga Gil Vicente, que nele situou a história da mulher que procurava, em tempos de carestia, pelo melhor vinho da cidade. Era esse o “Pranto de Maria Parda”, aquele que o nome grande do teatro português considerava a maior a maior bêbeda da cidade.

Acabaria por ser outro Vicente, de apelido Sodré, cuja família residia por ali desde há séculos, que viria a dar o nome ao cais mais famoso da cidade.

Por ali travaram-se algumas das maiores lutas ideológicas da cidade, mas também do mundo: das eternas conspirações políticas de britânicos e franceses, às guerras entre liberais e miguelistas. Foi palco de contendas, duelos, recebeu os primeiros hoteis e restaurantes de ‘categoria’, foi cenário para algumas das mais significativas obras da literatura portuguesa, como a famosa cena dramática de Carlos da Maia e Maria Eduarda, nos ‘Maias’ de Eça de Queirós. A noite e a boémia serviram de refúgio de espiões da II Guerra Mundial, criminosos foragidos (até internacionais, como o assassino de Martin Luther King), mas também das classes mais desfavorecidas de Lisboa, das prostitutas, de artistas e opositores à Ditadura. Foi nele que triunfou a liberdade da noite surgida após o 25 de abril.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

24 agosto 2026

Cap-Vert : VILLAGES PERCHéS AU COEUR DE MONTAGNES VERTIGINEUSES


Dans les reliefs abrupts du Cap-Vert, des villages se dressent à la limite du vide. Les maisons de pierre, simples et solides, s'accrochent aux versants comme pour défier le temps. Autour, de petites terrasses cultivées témoignent de la patience des habitants qui, génération après génération, font pousser leurs récoltes dans une terre aride et exigeante. Ici, la vie se déroule au rythme des saisons, entre l'isolement imposé par la montagne et la force de la communauté villageoise. C'est dans cet équilibre fragile que se révèle toute l'authenticité des hauteurs capverdiennes.

Au lever du soleil, les habitants sortent tôt pour rejoindre leurs champs, profitant de la fraîcheur matinale avant que la chaleur n'envahisse la vallée. Les enfants parcourent à pied les sentiers escarpés pour se rendre à l'école, tandis que les anciens restent à l'ombre des arbres, gardiens de la mémoire des lieux. L'eau, rare et précieuse, est partagée avec soin, et chaque récolte est le fruit d'un travail collectif. Ici, loin du bruit du monde, la vie se concentre sur l'essentiel : la famille, la terre et la solidarité.

© GJ

23 agosto 2026

Lisbonne orientale : UNE MERVEILLEUSE DECOUVERTE TOURISTIQUE (4/4)


L'aquarium de Lisbonne

L'aquarium de Lisbonne s'est révélé être vraiment magnifique ! Pourtant on doit avouer que nous ne sommes pas de gros fans de zoo ni d'aquarium (pour des raisons éthiques) mais il faut dire qu'on en a pris plein les yeux.


Accessoirement le plus grand aquarium d'Europe, il y a surtout au beau milieu un immense bassin qui occupe deux étages et qui peut être observé à ses deux niveaux. Des dizaines (centaines?) de poissons y vivent et semblent de plutot bien s'y plaire. Faut dire qu'avec ses 5000 mètres cube d'eau, les poissons lunes, manchots et autre requins ont de quoi se balader.


Quant aux autres espèces, il y a de quoi voir. Mention spéciale aux manchots mais aussi aux loutres qui savent y faire en matière de mignonnerie. Et ca tourne, ça se retourne, et vas-y que je fais des espèces de bisous à l'autre loutre. Bref le parfait spectacle pour faire fondre a peu près tous les gosses et les mamans qui regardent les petites bêtes faire le show (et nous).


Voilà, on y a passé deux heures à s'émerveiller de la nature, à en prendre plein les yeux autour de tous les bassins.

Miles&Love

22 agosto 2026

Lisbonne orientale : UNE MERVEILLEUSE DECOUVERTE TOURISTIQUE (3/4)


En redescendant de notre petite cabine d'ailleurs, le soleil commençait franchement à se montrer alors plutôt que de filer direct s'enfermer dans l'aquarium, on a décidé, en bons parisiens en manque de soleil, qu'on se prendrait bien un petit truc a manger en terrasse, histoire aussi de gouter pour la première fois aux spécialités locales.


Hop quelques tables au bord du Tage, quelques nappes en papier, on s'est installé et on a commencé à essayer de déchiffrer ce qu'on allait manger. Et après avoir mangé nos premiers beignets de morue et haricots verts panés (oui oui on fait paner les haricots verts ici), on a finalement pris le chemin de l'aquarium. Enfin presque...


Oui parce qu’encore une fois, on est tombé sur un endroit vraiment cool, le Jardim da aga, à quelques mêtres de l’Aquarium, un petit jardin plein de sculptures et installations plus sympas les unes que les autres. Ici un instrument qui fait du bruit, là on peut jouer avec l'eau. Le summum étant cette magnifique cascade sous laquelle on est passé pour accéder à l'aquarium.

Miles&Love

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20 agosto 2026

Lisbonne orientale : UNE MERVEILLEUSE DECOUVERTE TOURISTIQUE (2/4)


L’impressionnant pont Vasco de Gama

En se baladant le long du Tage, le pont en ligne de mire, on a senti l'iode nous titiller le nez. La marée était basse et le sable à nu donnait un coté un peu sauvage, ici en plein coeur de la ville.

Le pont Vasco de Gama est réellement dingue de par sa longueur, en tout plus de 17km (apparemment le plus grand d'Europe). Mais surtout, il est assez majestueux surplombant allègrement le Tage et semblant ne jamais finir, le bout du pont se fondant dans les nuages présents ce jour là. On a donc fait nos petites photos, profité de l’air marin et admirer la vue.

Prendre de la hauteur en télécabine


Alors qu'on papillonnait dans le quartier en direction de l'Aquarium de Lisbonne, on s'est rendu compte qu'il y avait des télécabines qui permettait au choix d'éviter de se retaper le kilomètre qu'on venait de faire dans l'autre sens, et/ou de voir le quartier sous un autre angle. Il ne nous en fallait pas plus, on a donc payé quelques euros pour prendre de la hauteur et voir le quartier.

C'est ainsi qu'on s'est jeté dans la première nacelle venue pour un petit voyage de 5 min avec vue panoramique sur le Tage et les environs. D'ailleurs, on s'est aperçu avec plaisir que le ciel commençait à se découvrir, donnant à l'eau de beaux reflets turquoise.

C'est plutôt joli Lisbonne vu en télécabine. Bon les constructions récentes, souvent hautes empêchent un peu d'avoir vue sur toute la ville mais malgré tout le spectacle est chouette et on ne se lasse pas de regarder le Tage.

Miles&Love

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17 agosto 2026

Lisbonne orientale : UNE MERVEILLEUSE DECOUVERTE TOURISTIQUE (1/4)

A la découverte du quartier Vasco de Gama

Bon en vrai le quartier ne s'appelle pas Vasco de Gama. Mais il semblerait que le célèbre explorateur portugais ait inspiré les gens du coin puisqu'ici à peu près tout est affublé du nom Vasco de Gama. Le pont, le centre commercial, la tour...

En sortant du métro, on a pu découvrir un quartier résolument moderne, l'antithèse du Lisbonne historique que nous avions à peine découvert la veille au soir, en arrivant.

Moderne au point que dès les premiers pas, tu es accueilli directement par un centre commercial, le... Vasco de Gama Shopping Center.

N'étant pas trop fans des centres commerciaux et encore moins en vacances, on a passé notre chemin. Mais à l'image du quartier, il faut lui reconnaître un coté futuriste assez sympa et on apprendra plus tard qu'à la base, le bâtiment a été construit pour l'exposition internationale 98 et fut ensuite transformé en centre commercial (ceci explique cela).


Dans le coin il y a au moins une chose qu'il ne faut pas louper, c'est l'immense et impressionnant pont Vasco de Gama. On s'est donc éloigné rapidement profitant qu'il ne pleuve pas encore pour aller voir à quoi ressemblait l'un des deux ponts emblématiques de la ville.

Situé tout de même à au moins 1 kilomètre du centre, on a donc pu se balader de jardins en jardins et découvrir un quartier récent, super sympa et créatif. Évidemment on est loin des petites ruelles de quartiers comme l'Alfama, mais malgré tout cela a un vrai charme.

A mi chemin, alors qu’on longeait le Tage, on a pu s'arrêter quelques instants au pied de l'immense tour Vasco de Gama, dont l'architecture futuriste lui confère des faux airs de Dubai.

MilesAndLove

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Musica - D.A.M.A. - MÃE

"Mãe"

14 agosto 2026

Historias de Lisboa - SANTO ANTONIO

Saltar à fogueira, queimar ervas aromáticas, ir às fontes e 'deitar as sortes': as velhas tradições das festas de Santo António.

Durante séculos pensava-se que o nascimento de Fernando Martins de Bulhões tinha ocorrido, em Lisboa, quatro anos mais tarde, mas uma exumação científica autorizada pelo Vaticano, realizada em Pádua, em 1981, veio a indiciar que, afinal, aquele que veio a ser Santo António deverá ter nascido em 1191.

Significa que isto que Fernando veio ao mundo apenas seis anos depois da morte de D. Afonso Henriques, numa cidade que, uma geração atrás, era chamada de Al-Ushbuna e tinha, há menos de 50 anos, o Islão como religião oficial. O futuro santo cresceu numa família burguesa junto à recém-inaugurada Sé Catedral (antes, a mesquita aljama) e, bem cedo, abraçou o sacerdócio da vida religiosa, para militar na jovem e revolucionária (para a época) ordem dos franciscanos.

Teve uma vida aventureira e uma ascensão meteórica: de Lisboa rumou a Coimbra, dali a Marrocos e, finalmente, a França e Itália. Em poucos anos, tornou-se “famoso” graças aos dotes de oratória, conheceu o próprio São Francisco de Assis e, ao morrer, aos 40 anos, protagonizou a mais rápida canonização da Igreja Católica (11 meses). Pode dizer-se que foi o primeiro caso de internacionalização portuguesa no estrangeiro.

Com a morte veio o culto. A fama dos milagres e uma intensa devoção alteraram o perfil do sisudo doutor das letras para o santo brincalhão e casamenteiro. Para o que muito concorreu a associação à simbologia de São João, companheiro, a par de São Pedro, na trilogia dos santos que partilham o mês do solstício de verão no hemisfério norte, e com ele as velhas tradições imemoriais do paganismo, da fertilidade das colheitas e da fecundidade.

O culto do santo espalha-se pelo mundo, mas em Lisboa vai ganhar cada vez mais significados. Adotado primeiro como símbolo da afirmação régia da coroa portuguesa, logo passou a sinónimo de poder local do senado da capital. O culto religioso deu lugar a festas profanas, com arraiais, marchas ao flambó e as outras, chamadas de populares, reinventadas em plena ditadura militar, e que nos chegam quase um século mais tarde, sob a forma da festa e liberdade.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

08 agosto 2026

Historias de fadistas - BERTA CARDOSO E OS PAPAGAIOS DE DISCOS

Para quem não sabe, a Berta Cardoso era uma enfermeira parteira que tinha o ciclo preparatório. Naquela época ter a 4º classe já era bom, ter o ciclo era fabuloso. Ao mesmo tempo conciliava uma saudosa carreira de muitos anos no fado, quando a Amália nem sequer sonhava cantar.

A Berta era uma mulher com muito bom humor: uma vez encontrei-a na "Viela", na altura a minha paragem obrigatória ao fim da noite antes de ir dormir. Na altura andava a tal rapariga nova a cantar por lá. Até cantava muito bem, mas era um bocado papagaia: aprendia pelos discos e fazia reproduções fiéis quando cantava, inclusive dos erros.

Havia o fado "Que Deus me Perdoa, que em certa parte diz "cantando dou brado e nada me dói". Mas a Amália comia um bocadinho as palavras e percebia-se "cantando dobrado e nada me dói". Claro que a menina dizia o mesmo erro, dando-lhe até alguma acentuação.

No final da noite a Berta decidiu chamá-la à atenção mas levou como resposta: "É assim que a dona Amália canta, portanto está bem!". Passados dois dias, Berta Cardoso voltou a chamar a menina á parte para corrigi-la no mesmo verso e ela voltou a mostrar a postura arrogante de papagaia de discos: "Fui para casa ouvir e no disco é assim que ela canta!"

Lembro-me de não conseguir conter o riso quando a Berta, que não tinha papas na língua, se saiu com a seguinte pérola: "Ai é? Então olhe menina, ele estendido e rijo já é difícil, quanto mais dobrado e mole... tenha juízo e pense por si mesma!".


Berta Cardoso - Fado antigo

Vital d'Assunção - expresso

03 agosto 2026

Historias de Lisboa - ASCENSORES E ELEVADORES


Entre 1884 e 1901, Lisboa assiste à concretização de um sonho: a construção de uma rede de ascensores e elevadores que ousavam vencer as íngremes colinas que tanta moléstia causavam aos lisboetas e sofrimento ao transporte de tração animal. Inspirados nas inovações importadas dos Estados Unidos e no centro da Europa, e tendo como exemplo o funicular do Bom Jesus de Braga já em funcionamento desde 1882, os primitivos veículos eram movidos através de mecanismos de contrapeso de água e a vapor, o que obrigava a paragens frequentes sobretudo nos meses de verão, quando rareava a água.

O primeiro a ser projetado foi o da Glória, mas acabaria por caber ao do Lavra (1884), na colina oposta da Avenida da Liberdade, as honras de pioneiro da capital. Dois anos mais tarde, a 24 de outubro de 1885, no dia da abertura do Elevador da Glória, compareceram algumas das figuras mais importantes da cidade. As fotografias e gravuras da época mostram algumas das figuras mais importantes da cidade, com chapéu alto e fatos de gala, a empreenderam a viagem inaugural dos Restauradores ao Bairro Alto. Algumas utilizaram o piso superior descoberto, a “Imperial”, que caracterizava, então, o carro da Glória.

Iniciava-se um período de cerca de 20 anos marcado pela expansão da rede, com linhas concessionadas pela Câmara Municipal a empresas privadas, obras de engenharia que viriam a irromper pelas colinas e por alguns dos bairros populares. Estrela, Chiado, Bica, Mouraria e Graça passariam a estar servidas por elevadores e ascensores, alguns descrevendo por vezes curvas surpreendentes para uma tecnologia concebida para ruas tendencialmente ortogonais, causando espanto, muitos percalços e alguns acidentes.

A última das linhas, a extinta carreira do Rossio a São Sebastião da Pedreira, viria a ser inaugurada quando a eletrificação, no início do século XX, tornava já obsoleta e ultrapassada a velha tecnologia dos elevadores de Lisboa. Terminava o reinado dos pioneiros ascensores da capital, já então apelidados, na gíria lisboeta de então, como “maximbombos", “coisas podres”, “a cair de miséria” e a “atravessar as ruas da cidade aos tombos, a chiar desesperadamente sobre as calhas tortuosas”.


MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

26 julho 2026

Alentejo (Portugal) - EVORA (10) - ALTO DE SÃO BENTO


Pour un magnifique point de vue sur la ville, prenez la direction de São Bento de Catris. L’Alto de São Bento vous offrira une vue panoramique sur « la ville-musée ». Le site se trouve à environ trois kilomètres au nord-ouest du centre historique. Sur la colline, vous pourrez aussi voir d’anciens moulins à vent. Le site est parfait pour admirer le coucher de soleil.

GoToPortugal

25 julho 2026

Historias de fadistas - O DIA EM QUE AMALIA IA SENDO PRESA

Que Amália era glamourosa todos sabemos. Mas que tinha também um lado bem espontâneo e popular que quase a levou à prisão, já nem todos fazem ideia.

Finais dos anos 60, na "Adega Machado" (casa de fado de renome mundial que infelizmente fechou portas em 2009). Todas as noites, ao fim de fado e folclore, o espectáculo fechava sempre com a "Marcha do Machado", uma brincadeira que levava à escolha de pessoas do público para interagir numa mini marcha popular com os artistas da casa.

Numa noite em que Amália Rodrigues jantava na "Adega Machado", um dos bailarinos escolheu-a e a diva do fado encabeçou a marcha, sorridente, com arco e balão na mão. Espontânea, como sempre, sem avisar resolveu sair do restaurante, levando atrás bailarinos, clientes, fadistas, guitarristas e empregados de mesa que decidiram alinhar na brincadeira. O inédito aconteceu: a "Marcha do Machado", acabou por seguir Bairro Alto fora, com Amália à frente e uma legião de muitos desconhecidos a acompanhar.

"Estão todos presos!"

Num cruzamento da Rua da Atalaia com a Travessa da Queimada, dois "polícias de giro" (na altura, nome que se dava aos agentes de bairro) interceptaram a marcha. Sob a velha máxima pré-25 de Abril, declararam: "Mais do que duas pessoas é um ajuntamento... ou uma manifestação comunista. Está tudo preso!". A marcha parou, o silêncio deu lugar à euforia anterior.

Entre olhares temerosos, todos se preparavam para passar uma noite na esquadra quando surgiu, por acaso, o chefe da esquadra da Mercês, celebrizado com a alcunha de "o bailarino" (segundo consta que tinha boa esquiva e usava passos de bailarino nas suas intervenções). Ao ver o grupo, ouviu a explicação dos seus agentes e concordou com a detenção... até que viu quem encabeçava a brincadeira.

Chefe: Mas é a dona Amália Rodrigues numa manifestação?
Amália: Sou, sim senhor. Mas isto não é uma manifestação, é só a "Marcha da Adega Machado".
Chefe: Bem, se é a dona Amália que vai à frente, então siga a marcha!

Quebrou-se o silêncio, voltou-se a cantar e a marcha seguiu até à "Adega Machado" com três novos marchantes (embevecidos pela rainha das fadistas): os três temidos polícias.

Sem sequer cantar o fado, com o seu dom de arrastar multidões, Amália acabou por ser, como sempre, a estrela da noite.

PortalDoFado

11 julho 2026

Cap-Vert - DANS LES ENTRAILLES D'UN VOLCAN OUVERT SUR L'OCEAN

 

Cette vue spectaculaire révèle un ancien cône volcanique aux teintes rougeâtres, entouré d'un paysage aride où la végétation reprend peu à peu sa place. En contrebas, l'océan Atlantique s'étend à perte de vue, laissant apparaître les silhouettes d'autres îles de l'archipel. Un contraste saisissant entre la terre volcanique, la mer et le ciel qui illustre parfaitement la richesse géologique du Cap-Vert.

Ce volcan, aujourd'hui endormi, témoigne d'un passé où le feu et la lave ont façonné l'archipel, il y a des milliers d'années. L'érosion a adouci ses flancs, mais ses couleurs sombres et rouges rappellent l'énergie brute qui l'a fait naître. Tout autour, de jeunes pousses vertes s'accrochent à la roche noire, signe de la résilience de la nature. Le silence qui règne ici n'est interrompu que par le souffle du vent, donnant au visiteur la sensation d'assister à une scène hors du temps, où l'âge de la Terre se lit à ciel ouvert.

© GJ

08 julho 2026

Historias de Lisboa - AS CHEIAS DE 1967 (2/2)

De Colares a Vila Franca de Xira, as ribeiras transbordaram e uma lama assassina arrastou casas, estradas, animais e pessoas. Ainda hoje não se sabe ao certo o número de mortos. 5 dias após a tragédia, a censura deu ordens para parar a contagem, então nas 462 vítimas mortais, e abafar ou minimizar toda e qualquer a notícia sobre as consequências da catástrofe.

As mortes ocorreram sobretudo na área metropolitana, fora do núcleo central onde o planeamento urbano, as redes de esgotos e as condições de vida eram, apesar de tudo, mais favoráveis. Ainda assim, uma torrente de lama invadiu condutas do Aqueduto das Águas Livres, o que obrigou a interromper o abastecimento à capital. Muitos habitantes tiveram de recorrer aos antigos chafarizes, bicas e fontanários. Para além da falta de água, durante vários dias, houve falta de pão e de recolha de lixo. Nos arredores, acumulavam-se os cadáveres em putrefação, quer de animais e quer de vítimas humanas.

A dimensão da tragédia motivou uma resposta generalizada de ajuda por parte de diversos países, que o regime – isolado e alvo de críticas nas instâncias internacionais – recusou. Contra a vontade das autoridades, uma onda de solidariedade eclodiu por parte da população estudantil, de Lisboa, Porto e Coimbra que, por via da tragédia, acabou por tomar contacto com as terríveis condições de vida – e de morte – de muitos habitantes dos bairros periféricos da capital. Essa experiência, a par da repressão estudantil e da ameaça de recrutamento para a guerra colonial, concorreram para despertar uma consciência política que viria a ter consequência na revolução de 1974.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

06 julho 2026

Historias de Lisboa - AS CHEIAS DE 1967 - (1/2)

Segundo alguns investigadores, as inundações de 1967 de Lisboa foram a pior tragédia que se abateu na região da capital desde o terramoto de 1755. As previsões meteorológicas para aquele sábado de 25 de novembro de 1967 nem eram das mais gravosas, num outono considerado, até ali, pouco chuvoso. Mas, por uma conjunção de fatores climatéricos, em apenas 5 horas, choveu o equivalente a dois meses.

Muito para além das questões atmosféricas, na maior área metropolitana do país, encontrava-se já reunida a “tempestade perfeita”: um ordenamento do território deficiente, resultante de um êxodo rural acentuado nos últimos anos, com bolsas de pobreza, bairros de barracas e habitações precárias construídas em leito de cheias. A estas condições, acrescia a ausência de respostas de emergência e de políticas sociais por parte de um regime repressivo e autoritário, limitador da liberdade de expressão e de associação, que durava há mais de 40 anos...

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

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03 julho 2026

Desporto - MUNDIAL DE FUTEBOL : CABO VERDE EXCELENTE

O selecionador nacional, Bubista, garantiu, durante a conferência de imprensa de antevisão ao jogo com a Argentina, que a Selecção Nacional vai enfrentar "sem receios" sul-americana nos 16 avos de final do Mundial2026, e quer tentar ultrapassar a campeã em título.

"Sabemos da importância deste jogo. É o jogo das nossas vidas, mas vamos aproveitá-lo e dar o melhor de nós. O nosso único pensamento é tentar ultrapassar esta eliminatória", afirmou Pedro Brito, mais conhecido por Bubista, em conferência de imprensa realizada no estádio de Miami, palco do encontro de sexta-feira, às 23:00 (horas de Lisboa).

O técnico garantiu que os 'tubarões azuis', estreantes em fases finais de Mundiais, estão tranquilos, e chegaram por mérito próprio aos 16 avos de final, depois de terem empatado os três encontros da fase de grupos.

"Estamos tranquilos. Chegámos aqui por mérito próprio e não há nada a recear nem motivo para excessiva preocupação", disse, admitindo que a partida frente à campeã do mundo representa "o jogo da vida" da equipa cabo-verdiana.

O selecionador de Cabo Verde falou do homólogo argentino, Lionel Scaloni, como "um dos melhores", e assumiu temer uma dificuldade para o jogo com os sul-americanos: manter o foco na reta final das partidas.

"Acho que isso preocupa todos em África. Essa situação não é de agora (..) Nas competições anteriores tem havido essa dificuldade, as equipas africanas não conseguem aguentar a parte final do jogo", referiu.

Cabo Verde qualificou-se para os oitavos de final ao terminar no segundo lugar do Grupo H, atrás da Espanha, e à frente das congéneres do Uruguai e da Arábia Saudita.

O vencedor do jogo Argentina-Cabo Verde defronta nos oitavos de final a Austrália ou o Egito, que jogam também na sexta-feira para os ’16 avos’.

Expresso das Ilhas

30 junho 2026

News - Sport - CRISTIANO RONALDO : "HONTEUX"

À l’instar de Lionel Messi, Luka Modric ou encore Neymar, Cristiano Ronaldo dispute très probablement sa dernière Coupe du monde cet été. Le quintuple Ballon d’Or est un pion inamovible du système mis en place par Roberto Martinez. L’attitude du sélectionneur de la Seleção vis-à-vis de sa star vieillissante est néanmoins sujet à discussion.

S’il a claqué un doublé face à l’Ouzbékistan lors de la phase de poules du Mondial 2026 qui se déroule actuellement de l’autre côté de l’Atlantique, « CR7 » a surtout été transparent face à la République démocratique du Congo et contre la Colombie. Mais Roberto Martinez a choisi de ne jamais le faire sortir.

Certains observateurs ont dénoncé ce management, à l’image de l’ancien international anglais, Chris Sutton. Dans des propos relayés ce mardi par AS, celui qui est passé par Chelsea ou encore Aston Villa, a donc ciblé Roberto Martinez, revenant notamment sur les louanges constantes prononcées par ce dernier à l’égard du joueur d’Al-Nassr, ce à chacune de ses interventions face à la presse.

« Je n’ai jamais vu un sélectionneur encenseur un joueur à ce point. C’est honteux. Le Portugal possède des joueurs exceptionnels, mais sa présence constante en pointe les handicape...

SportsFr

Note du Blog : Avec Ronaldo le Portugal joue mal et à... dix

26 junho 2026

Santé/Médecine - "CALDO VERDE" - LA SOUPE VERTE DU PORTUGAL

Et si le secret pour vivre mieux ne se cachait pas dans une pilule hors de prix, ni dans un régime impossible à tenir ? Au Portugal, il tient souvent dans un bol posé au milieu de la table. Un plat humble, familial, que l’on prépare sans chichi avec quelques légumes, un filet d’huile d’olive et beaucoup de bon sens. Là-bas, la soupe n’est pas seulement une entrée que l’on avale vite fait avant le “vrai” repas.

C’est un réflexe presque quotidien, une boussole alimentaire transmise de génération en génération.

En bref Au Portugal, la soupe maison fait partie des habitudes alimentaires les plus ancrées. Préparée avec des légumes, des légumineuses et de l’huile d’olive, elle est rassasiante, économique et bonne pour l’équilibre. Le caldo verde, soupe emblématique portugaise, illustre parfaitement cette cuisine simple qui aide à rester en forme.

Au Portugal, la soupe n’est pas un détail : c’est une habitude de vie

Quand vous entrez dans une maison portugaise à l’heure du dîner, il y a de fortes chances qu’une marmite soit déjà sur le feu. Pas forcément un grand plat compliqué. Souvent, c’est une soupe. Une vraie soupe maison, épaisse juste ce qu’il faut, préparée avec des légumes de saison, parfois des haricots, du chou, de l’ail, des oignons et ce fameux filet d’huile d’olive qui change tout. Ce qui frappe, c’est sa place dans le repas. En France, on la relègue parfois aux soirs d’hiver ou aux lendemains d’excès. Au Portugal, elle accompagne le quotidien. Elle cale sans alourdir, réchauffe sans ruiner, nourrit sans compliquer. Et c’est peut-être là que se trouve son immense force.

Le caldo verde coche toutes les cases

Parmi toutes les soupes portugaises, le caldo verde est sans doute la plus connue. Son principe est d’une simplicité désarmante : des pommes de terre, du chou vert finement coupé, de l’oignon, de l’ail et un peu d’huile d’olive. Rien de spectaculaire à première vue. Et pourtant, ce bol a tout bon. Les légumes apportent des fibres. Les pommes de terre donnent de l’énergie. Le chou offre des nutriments précieux. Et l’huile d’olive ajoute de bons gras qui participent à l’équilibre général. Résultat : vous mangez quelque chose de nourrissant, réconfortant et beaucoup plus sain qu’un plat industriel avalé à la va-vite. Et surtout, vous n’avez pas faim une heure après.

Le vrai secret, ce n’est pas la recette : c’est la régularité

Mais au Portugal, la leçon est beaucoup plus simple : ce sont les petites habitudes répétées tous les jours qui font la différence. Un bol de soupe maison le soir, ce n’est pas spectaculaire. Mais répété semaine après semaine, cela pousse naturellement à manger plus de légumes, moins de produits transformés et des repas plus équilibrés. Et côté budget, difficile de faire mieux. Avec quelques pommes de terre, une poignée de légumes, un oignon et un reste de légumineuses, vous préparez plusieurs portions pour presque rien.

Finalement, ce “secret n’a rien de mystérieux. Il tient dans une cuisine saine, simple et délicieuse.

CommentEconomiser

23 junho 2026

News - PORTUGAL : SECURITé ET DOUCEUR DE VIVRE

Lisbonne est particulièrement prisée des étrangers. Une expat britannique explique pourquoi dans “Condé Nast Traveller”, tandis que “Travel + Leisure” met l’accent sur toutes les autres très agréables villes du pays.

Le Portugal est une destination très prisée des expatriés en quête de sécurité, de douceur de vivre, de coût de la vie raisonnable et de soleil. Le gouvernement a d’ailleurs tout fait pour attirer les nomades numériques et autres étrangers aisés à coups de “visa dorés”. Condé Nast Traveller a justement publié un témoignage illustrant bien ce phénomène intitulé “Je vis dans la ville la plus agréable du monde pour les expatriés, voici pourquoi elle mérite toute sa réputation”.

Elle s’y sent en sécurité, même seule la nuit. Et elle apprécie particulièrement le climat, la proximité de plages idylliques, le cosmopolitisme, la facilité des Lisboètes à se débrouiller avec l’anglais, notamment pour résoudre des problèmes administratifs. Elle souligne aussi l’efficacité du système de santé et le coût modeste des soins. Pour résumer, “mon amour pour Lisbonne s’est affirmé au fil du temps”, écrit-elle.

Mais le pays ne se résume pas à Lisbonne, et le magazine de voyage américain Travel + Leisure met en avant les petites villes, qui sont “les secrets les mieux gardés du Portugal pour les expatriés”. Le site reprend une étude récente d’International Living et cite Jennifer Stevens, sa rédactrice en chef : “Si des villes comme Lisbonne et Porto sont célèbres, beaucoup découvrent une fois sur place que les petites villes offrent souvent le mode de vie qu’ils recherchent vraiment : une mobilité douce, une vie communautaire riche, une culture florissante et un coût de la vie abordable.” Dans le nord, les villes à privilégier seraient Caminha, Viana do Castelo, Águeda. Dans le centre, Tomar, Caldas da Rainha et Óbidos. Et dans le sud, Évora, Beja, Vila Real de Santo António, Lagos et Tavira.

Ingrid Therwath

16 junho 2026

Historias de Lisboa - "DEVES ESTAR A FICAR XéXé"

Carnaval em 1929, com carrinho d'A Brasileira

Descubra a figura do Carnaval lisboeta que está na origem desta expressão popular

Desde há milénios que as populações assinalam a passagem da estação das trevas (o inverno) para a luz (primavera). No Hemisfério Norte, o Velho Entrudo e o Carnaval podem inscrever-se nessa tradição ancestral. Ao longo dos tempos, há sinais de que as sucessivas autoridades no poder – desde o Império Romano à Igreja Católica, do Antigo Regime às elites liberais no século XIX – tentaram domesticar as celebrações, que assumiam, quase sempre, um caráter disruptivo, e por vezes até violento.

Por todo a Europa do Norte, a partir do século XVI, a Reforma Protestante ajudou a dessacralizar velhos rituais católicos, na linha do que estudou o teórico russo Mikhail Bakhtin no seu livro "A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento”. Os corsos e desfiles podem encontrar paralelo, por exemplo, nas procissões religiosas que o Carnaval passou a ridicularizar. Mais tarde, os excessos das monarquias europeias do Antigo Regime passaram a ser um dos focos da sátira dos carnalescos (cujos ecos ainda se encontram em muitas das máscaras utilizadas hoje).

Em Lisboa, os festejos carnavelesco foram proibidos pelo intendente Pina Manique, nos tempos do Marquês de Pombal, bem como durante as Invasões Francesas, invocando o perigo de colocar em risco a ordem pública e os crimes cometidos pelos mascarados. O chamado “xexé” e a velha de lenço e capote simbolizavam essa nobreza caduca destronada pela revolução liberal. O período miguelista marca um novo fôlego das festividades, para logo a seguir principar o processo de civilização do Carnaval, em nome do progresso e de uma aproximação aos “habitos europeus” e à Belle Époque parisiense. Aos poucos, o povo passa, gradualmente, a ser espectador de uma festa onde antes era personagem principal.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias

13 junho 2026

Cap-Vert : PLAGE SAUVAGE ENTRE SABLE DORé ET VAGUES DE L'ATLANTIQUE


Cette plage isolée du Cap-Vert offre un décor spectaculaire : une étendue de sable doré battue par la puissance de l'océan Atlantique. Bordée de montagnes volcaniques sombres, elle incarne la nature brute de l'archipel

Accessible loin des zones touristiques, elle attire les voyageurs en quête d'authenticité et de grands espaces. Ici, le Cap-Vert révèle son visage le plus sauvage et préservé.

Le ressac résonne comme un battement régulier, effaçant aussitôt les traces de pas sur le sable. Les couleurs changent à chaque instant : le bleu profond de l'eau se mêle au blanc écumeux des vagues, contrastant avec les falaises minérales teintées d'ocre et de noir. Aucun bruit humain, seulement le vent, la mer et les oiseaux marins qui planent au-dessus des crêtes. Cet environnement pur et presque irréel donne l'impression d'être au bout du monde, face à une nature indomptée, à la fois apaisante et grandiose.

© GJ