Tal como na maioria das grandes cidades da Europa, há 300 anos, em Lisboa (ainda antes do grande terramoto de 1755), começava a operar-se uma discreta mas significativa transformação: o surgimento do espaço público.
Primeiro que tudo, há uma mudança na forma como se encara a rua, as praças e a cidade como locais de cidadania, ao mesmo tempo que, surge aquilo a que podemos chamar de opinião pública, sobretudo (mas não só) através da popularização dos jornais.
É neste ambiente que ganham sentido os espaços semi-públicos, como os salões, os teatros, e os locais para consumo de bebidas e comidas: vendas, tabernas, casas de pasto e, de forma cada vez mais pronunciada, os cafés. Importantes polos de socialização, cada um com as suas características, regras, clientelas e produtos: do omnipresente vinho, aguardentes e cerveja, às bebidas finas importadas, como o ponche, a filipina e o genebra – o célebre gin.
Em cada um destes lugares comiam-se diferentes iguarias: dos peixes mais corriqueiros e baratos (como a cavala e a sardinha) até aos assados mais elaborados (carne, peixes, pasteis e doçarias). Espaços tendencialmente masculinos, eram altamente vigiados (porque eram incómodos para os diversos poderes vigentes), já que eram poiso de revolucionários, intelectuais, marginais, ou do simples e anónimo cidadão.
MiguelFrancoDeAndrade
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