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25 maio 2026

Historias de Lisboa - VIAGEM AO SUBMUNDO DO COMOSPOLITA CAIS DO SODRé

Já lhe chamaram ‘Cata-que-farás’ ou ‘bairro dos Remolares’, mas ultimamente ganhou o nome de ‘Rua cor-de-rosa’, mas no dialeto lisboeta, será sempre o ’Caixodré'.

Sítio triplamente marginal (porque nas margens do rio, da lei e das muralhas da cidade), este cais de Lisboa é casa para infinitas histórias de aquém e de além mar, porque a ele sempre acorreram pessoas dos quatro cantos do mundo.

Os primeiros ecos do lugar surgem de um tempo em que ali ainda havia uma praia do Tejo. E ja nessa altura tinha uma feição boémia. Que o diga Gil Vicente, que nele situou a história da mulher que procurava, em tempos de carestia, pelo melhor vinho da cidade. Era esse o “Pranto de Maria Parda”, aquele que o nome grande do teatro português considerava a maior a maior bêbeda da cidade.

Acabaria por ser outro Vicente, de apelido Sodré, cuja família residia por ali desde há séculos, que viria a dar o nome ao cais mais famoso da cidade.

Por ali travaram-se algumas das maiores lutas ideológicas da cidade, mas também do mundo: das eternas conspirações políticas de britânicos e franceses, às guerras entre liberais e miguelistas. Foi palco de contendas, duelos, recebeu os primeiros hoteis e restaurantes de ‘categoria’, foi cenário para algumas das mais significativas obras da literatura portuguesa, como a famosa cena dramática de Carlos da Maia e Maria Eduarda, nos ‘Maias’ de Eça de Queirós. A noite e a boémia serviram de refúgio de espiões da II Guerra Mundial, criminosos foragidos (até internacionais, como o assassino de Martin Luther King), mas também das classes mais desfavorecidas de Lisboa, das prostitutas, de artistas e opositores à Ditadura. Foi nele que triunfou a liberdade da noite surgida após o 25 de abril.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias