As obras para uma cave num restaurante, em 1953, puseram a descoberto uma escadaria monumental, mas foi a construção da estação de Metro do Rossio que viria a revelar, uns anos mais tarde, o que restava do maior hospital de Lisboa.
Estamos no final dos anos 50 e o Metro de Lisboa está a efetuar a sua primeira grande expansão. A linha em Y, que terminava nos Restauradores, iria chegar, nos próximos anos, à estação dos Anjos, passando necessariamente pelo Rossio e pela Praça da Figueira. Ao iniciarem os trabalhos, as máquinas e os operários rapidamente se depararam com os alicerces de um grande edifício: é o grande hospital lisboeta, cuja monumental escadaria já tinha sido vislumbrada, pouco anos antes, numas obras de ampliação de um famoso restaurante, os Irmãos Unidos, em plena praça do Rossio.
Abria-se uma janela para o passado: para aquele momento em que os reis D. João II e D. Manuel I tinham sido forçados a criar o primeiro edifício público de assistência hospitalar a uma cidade em crescimento demográfico explosivo. Nos finais do século XV e inícios do XVI, Lisboa estava ligada aos quatro cantos do mundo através de rotas de expansão oceânica, que trouxeram populações de terras distantes, novas doenças e diferentes formas de as tratar.
Miguel Franco de Andrade
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