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14 abril 2026

Historias de Lisboa - MARTIM MONIZ : AS ORIGENS MILENARES (2/2)

1962

Os terrenos mais próximos do centro da cidade, nas imediações do antigo Hospital Real de Todos os Santos e do convento de São Domingos, foram sendo progressivamente urbanizados, sob a tutela do convento de São Vicente de Fora, o grande próprietário das terras no local. Foi neste trecho que, em meados do século XVI, em terrenos de um tal João da Palma, começou a ser construída uma nova via de saída da cidade, que viria a ganhar o nome de rua da Palma (e não do Palma, como teria feito sentido).

Ao longo dos séculos, agudizaram-se as diferenças entre os de dentro e os de fora; os da cidade e os do campo; muçulmanos e cristão; lisboetas, provincianos, portugueses e estrangeiros.

Desde o terramoto, poucas zonas de Lisboa terão sofrido transformações tão profundas e traumáticas com aquela a que este bairro foi sujeito. Entre os anos 40 e os 60 do século XX, mais de 5 mil moradores foram obrigados a abandonar a zona, após a demolição de mais de 230 edifícios, ruas, becos, igrejas, teatros, monumentos, espaços comerciais e culturais. Vivências e memórias apagadas do mapa, substituidas por grande vazio, sempre pronto a renovar-se numa cidade aberta e cosmopolita, que o descaso, os experimentalismos urbanos e as modas ideológicas, ao longo dos séculos, tendem a manter eternamente à espera de uma solução.

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias