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03 junho 2026

Historias de Lisboa - O TERRAMOTO DESCONHECIDO DE 26 DE JANEIRO DE 1531


“O rio Tejo abriu-se ao meio, dividiu as águas e mostrou o leito de areia”

Aconteceu há 495 anos, um dos terramotos mais violentos de Lisboa. O sismo de 1531 foi descrito por alguns dos cronistas mais influentes da época, devido aos efeitos destrutivos na cidade. Estima-se que o abalo (e as sucessivas réplicas) provocaram a morte de milhares de pessoas, quer no momento do primeiro sismo, quer nos meses seguintes. Muitos edifícios da cidade ruíram, inclusive uma parte do Paço Real da Ribeira.

O abalo principal terá ocorrido de madrugada, entre as 4 e as 5 da manhã. Conta Garcia de Resende, cronista da casa real, então com 61 anos: “Veio primeiro um raio/após ele um trovão/ e grande terramoto então (…) Obra de um credo durou, se mais fora destruíra tudo”. Por toda a cidade surgiram fendas e cheiro a enxofre. E consta que no Tejo, as águas se abriram e o rio "mostrou o leito de areia".

Em pleno inverno, os sobreviventes resistiram às réplicas que duraram meses. Houve doenças, pestes e perseguições contra minorias populacionais, nomeadamente judeus e cristãos-novos; os mesmos que já tinham sido sujeitos, poucas décadas antes, a um édito de expulsão do reino e a conversões forçadas. O “pai do teatro português”, Gil Vicente, então com 66 anos, escreveu uma carta ao rei D. João III em que alertava contra as ações fanáticas dos padres de Santarém, que responsabilizavam “estrangeiros da nossa fé” por todos os males do Reino.3

MiguelFrancoDeAndrade
SicNoticias